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sábado, 21 de abril de 2012

Planos de saúde deverão pagar até 40 sessões de terapia por ano para seus usuários





Uma boa notícia para aqueles que possuem plano de saúde: a Agência Nacional de Saúde – órgão do governo que regulamenta os planos de saúde – divulgou uma lista com novos procedimentos básicos que os convênios terão que cobrir a partir do mês de junho. Entre eles, estipulou-se que os convênios serão obrigados a pagar 40 sessões de psicoterapia por ano para seus clientes. Antes eram apenas 12 sessões.

Isso é um grande avanço, pois 12 sessões equivalem apenas a 3 meses de terapia.

O que acontecia na prática era que a pessoa acabava pagando particular o resto das sessões necessárias.

Existem algumas ressalvas:

Sessões com psicólogo – cobertura obrigatória de 40 consultas/sessões por ano de contrato quando preenchido pelo menos um dos seguintes critérios: pacientes com diagnóstico de esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes (CID F 20 a F 29);  pacientes com diagnóstico de Transtornos da infância e adolescência (CID F 90 a F 98); e pacientes com diagnóstico de Transtornos do desenvolvimento psicológico (F80 a F89).
Sessão de psicoterapia -cobertura obrigatória de 24 sessões por ano de contrato quando preenchido pelo menos um dos seguintes critérios: pacientes com diagnóstico de Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o “stress” e transtornos somatoformes (CID F40 a F48); pacientes com diagnóstico de Síndromes comportamentais associadas a disfunções fisiológicas e a fatores físicos (F 50 a F 59); pacientes com diagnóstico de Transtornos do humor (CID F 30 a F 39); e Pacientes com diagnóstico de Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substâncias psicoativas (CID F 10 a F 19).


Fonte: http://www.ans.gov.br/

terça-feira, 17 de abril de 2012

Transtorno de Estresse Pós Traumático - TEPT ou através da sigla em inglês PTSD (Post-traumatic stress disorder)




O que vem a ser um transtorno?

A palavra transtorno pode ser entendida como querendo significar um prejuízo, algo desorganizado,uma contrariedade, uma perturbação, um turvamento cognitivo do juízo no indivíduo.

O que é oestresse ou stress?

O estresse é uma resposta do organismo frente a um perigo, que prepara o corpo para fugir ou lutar. Está presente nos animais com a finalidade de preservação da espécie, como por exemplo, para fugir de um predador. Hoje não precisamos nos defender de predadores, mas há muitas outras coisas que disparam o gatilho do estresse, que podem ser externas ou internas, agudas ou crônicas. As externas incluem condições físicas adversas (comodor, frio ou calor excessivos) e situações psicologicamente estressantes (más condições de trabalho, problemas de relacionamentos, insegurança, etc). Entre as internas estão também as condições físicas (doenças em geral) e psicológicas. O estresse agudo é uma reação a uma ameaça imediata, que pode serqualquer situação que é experimentada como um perigo. Algumas pessoas, por exemplo, tem verdadeiro pavor de viajar de avião, e quando o fazem, apresentamum estresse passageiro. Contudo, a vida moderna frequentemente nos expõe a situações cronicamente estressantes, e a resposta do organismo ao estresse não é suprimida. Dentre os fatores estressantes crônicos, estão a pressão no trabalho, problemas derelacionamento, solidão, problemas financeiros e a insegurança.

O que é o PTSD?

O PTSD caracteriza-se por uma perturbação psíquica decorrente e relacionada a um evento fortemente ameaçador ao indivíduo, ou a ele como testemunha do drama ocorrido. O transtorno consiste num tipo de recordação que é mais bem definido como revivescência, pois é muito mais forte que uma simples recordação. Na revivescência além derecordar as imagens o indivíduo sente como se estivesse vivendo novamente atragédia com todo o sofrimento que ela causou originalmente. O transtorno então é a recorrência do sofrimento original de um trauma, que além do próprio sofrimento é desencadeante também de alterações neurofisiológicas e mentais.

Experiências traumáticas

Algumas das nossas muitas experiências traumáticas podem ser resultantes de:
a) violência como estupro, assalto à mão armada,etc;
b) desastres naturais como enchentes, terremotos, erupções vulcânicas, furacões, tsunamis, etc;
c) acidentes tais como de carro, avião, trem, incêndios, etc; e
d) também desastres causados deliberadamente como por exemplo as guerras, atosterroristas, tortura física e psicológica, campos de refugiados de guerra, etc

Epidemiologia

Segundo HELZER,ROBINS e MCCEVOY (1987), alguns estudos iniciais de prevalência mostram índices de 1 a 2% de PTSD na população geral nos EUA como o Epidemiologic Catchment Area (ECA) do National Institute of Mental Health (NIMH).

Já estudos mais recentes mostram índices mais altos na faixade 7 a 9% na população geral americana, sendo a maior prevalência em mulheres(Sciancaleporee Motta, 2004).

Alguns estudos igualmente voltaram sua atenção para as prováveis consequências de traumascomo os ataques do 11 de setembro nos EUA (Thiel et al,2003-2004)
É de suma importância estes estudos, na medida em que se vemobservando em todo o mundo,a crescente exposição de pessoas à violência urbana eserem penalizadas compsicopatologias que limitam suas vidas no cotidiano.

No Brasil não há estudos de prevalência de PTSD, mas diantede tanta violência doméstica e urbana, violência contra a mulher, maus tratos acrianças, etc pode-se prever de que a prevalência não seja inferior à de outros países.

Classificação

Segundo o CID 10ºed (Classificação Internacional de doenças) temos nesta categoria F40-F48, Transtornos neuróticos, relacionados ao estresse e somatoformes. Assim, dentro de F43-Reação a estresse grave e transtornos de ajustamento temos o F43.1-Transtorno de estresse pós traumático.

É definido como uma resposta tardia e/ou protraída a um evento ou situação estressante de curta ou longa duração, de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica que causa angústia invasiva emquase todas as pessoas.

Diretrizes diagnósticas

O TEPT caracteriza-se pela presença de, pelo menos, um sintomade cada uma das três categorias:
1. revivência persistente do evento comopesadelos, flashbacks ou alucinações, pensamentos e imagens intrusivos.
2. esquiva persistente de determinados estímulos (GATILHOS), atividadese situações relacionadas ao trauma, bem como sintomas depressivos como perda do interesse por determinadas coisas, isolamento, tristeza, etc.
3. persistente elevação da excitabilidade com distúrbios do sono, irritabilidade, dificuldade deconcentração, hipervigilancia, reações de sobressalto,etc.
Os sintomas devem ter a duração de pelo menos um mês para que o diagnóstico seja estabelecido.
Certos sintomas não compõem o diagnóstico, mas podem serencontrados nos paciente com estresse pós-traumático como dor de cabeça,problemas gastrintestinais, problemas imunológicos, tonteiras, dores no peito, desconfortos.

Grupo de Risco

Qualquer pessoa pode desenvolver estresse pós-traumático, desde uma criança até um idoso. Os sintomas não surgem necessariamente logo após o evento, podem levar meses. O intervalo mais comum entre evento traumatizante e o início dos sintomas são três meses. Muitas pessoas se recuperam dos sintomas em seis meses aproximadamente, outras podem ficar com os sintomas durante anos.

Etiologia

Desde a década de 1990 alguns autores têm sugerido quealgumas estruturas cerebrais ligadas à memória e aos sistemas neuroquímicos, participam na formação doPTSD. Assim também algumas hipóteses psicológicas ligando o trauma e comrespostas condicionadas em indivíduossuscetíveis.

JONES e BARLOW (1990) fizeram uma revisão das diversasteorias sobre a etiologia do PTSD e propuseram um modelo muitointeressante. Eles concluíram que vulnerabilidade biológica do indivíduo,atribuição de significados de ameaça de vida aos estressores, tipo depersonalidade do sujeito e ausência de fator social como algo protetor podemfazer eclodir o PTSD.

Curso e Prognóstico

É bom lembrar de que nem todas as pessoas que passam por experiênciastraumáticas desenvolvem o transtorno. A presença de uma vulnerabilidade psico –biológica pode ser decisiva para desenvolver ou não o PTSD.

Como preditores de mau prognóstico estão os traumasanteriores, outros eventos que foram estressantes na época do evento, falta de suporte social e co-morbidade com outros transtornos psíquicos (por exemplo:um transtorno de humor).

Tratamento

Pode haver uma terapêutica medicamentosa com o uso deantidepressivos e ansiolíticos como a sertralina (O cloridrato de sertralina é um medicamento utilizado no tratamento da depressão. O mecanismo de açãoé a inibição da recaptação da serotonina) e a paroxetina (A Paroxetina é um antidepressivo inibidor darecaptação da serotonina). Uma medicação promissora talvez mais eficaz que a sertralinaé o topiramato (O topiramato não serve apenas paraessas duas coisas enxaqueca e controlo de peso, serve também como estabilizadorde humor). Aliás tem sido amplamente prescrito por médicos, ou seja, o topiramato virou a estrela dos últimos tempos.

As primeiras investigações com ele mostraram uma respostaaltamente satisfatória. Quem não obteve resposta com o tratamento convencionalpode experimentar esse novo anticonvulsivante e estabilizador do humor.

O uso da Terapia cognitivo-comportamental comum e a de exposição é muito recomendada, ou seja, a exposição à memória traumática,promove a extinção da esquiva diante da cena do trauma.

Fonte: Dra. Suely Bischoff Machado de Oliveira, CRP: SP8495, é psicóloga cadastrado no HelpSaúde.
http://blog.helpsaude.com/2012/02/transtorno-de-estresse-pos-traumatico.html

sábado, 14 de abril de 2012

Orientador de TCC é acusado de homicídio culposo em função das excessivas cobranças em relação a leituras e correções


    Carlos Camacho Espíndula, 25 anos residente no município de Francisco Beltrão, localizado na região sudoeste do Paraná, entrou em convulsão e evoluiu para óbito após uma maratona de 12 horas de leitura de obras científicas para a finalização de seu Trabalho de Conclusão de Curso.

    Os pais do jovem o encontraram caído no chão do quarto segurando o livro ‘Direito Civil: Família e Sucessões’. Sua monografia deveria ser entregue na próxima segunda-feira (12/03) para o Prof. Helvécio Dias Barroso, que está sendo investigado por homicídio culposo em função das excessivas cobranças em relação a leituras e correções na redação do TCC.

     Arnaldo da Rocha Trigueiro, responsável pela delegacia de homicídios de Curitiba, revelou em entrevista coletiva que o professor praticava uma modalidade de bullying acadêmico com seus orientandos. Sob a alegação que buscava a excelência do texto científico ‘ele humilhava alunos com comentários obscenos e desumanos que marcavam negativamente a psique dos seus orientandos’.

     Em um capítulo da Monografia de Carlos o delegado encontrou uma observação extremamente degradante feita pelo Prof. Barroso. Escrito em letras garrafais no canto superior da primeira página se lia: “nem por um casal de caralhos você vai apresentar uma merda dessa”.

      A família do estudante informou que ele chagava a passar 16 horas estudando e sempre que voltava das reuniões de orientação de TCC estava cabisbaixo e com lágrimas nos olhos. O laudo médico da perícia comprovou que a morte derivou de uma convulsão ocorrida pela excessiva atividade mental. Nunca antes na história deste país a expressão ‘se matou de estudar’ fez tanto sentido.


Fonte: http://www.moreiranet.com/products/excesso%20de%20estudo%20e%20leitura%20leva%20universitario%20%C3%A0%20morte%20em%20francisco%20beltr%C3%A3o/

sexta-feira, 13 de abril de 2012

CRP e CRESS organizam II Encontro de Psicólogos e Assistentes Sociais do Campo Sociojurídico


O Conselho Regional de Psicologia (CRP) e o Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) do Rio de Janeiro convidam para o II Encontro de Psicólogos e Assistentes Sociais do Campo Sociojurídico: Entraves e Desafios Eticopolíticos da Prática Profissional, que será realizado nos dias 19 e 20 de abril na sede da OAB-RJ. A participação é gratuita.

O evento é direcionado para profissionais e estudantes que atuam ou têm interesse em atuar no campo sociojurídico, além de demais interessados, e contará com a participação de nomes como Marildo Menegat e Fatima Grave (ESS/UFRJ), Esther Arantes (UERJ), Maria Livia Nascimento (UFF) e Elisabeth Borgianni (Tribunal de Justiça de São Paulo).

As inscrições devem ser feitas pelo email eventos@crprj.org.br ou pelo telefone             21 2139-5439      .



II Encontro de Psicólogos e Assistentes Sociais do Campo Sociojurídico:
Entraves e Desafios Eticopolíticos da Prática Profissional
Datas: 19 e 20 de abril de 2012
Local: OAB-RJ – Av. Marechal Câmara, 150 – Centro – Rio de Janeiro - RJ

PROGRAMAÇÃO

Dia 19 de abril

Manhã
Mesa de Abertura: CRESS-RJ, CRP-RJ, representante da OAB-RJ, CFP e CFESS
Conferência de Abertura: “Justiça: a serviço de quem?” Com Marildo Menegat

Tarde - Grupos de Trabalho:
1) Inquirição e depoimento sem dano
2) Exame criminológico e Comissões Técnicas de Classificação (CTC)
3) Interdição
4) Sistema Socioeducativo

Dia 20 de abril

Manhã
Apresentação de resumo dos debates dos Grupos de Trabalho
Mesa:“Estado penal: práticas punitivas e práticas profissionais” Com Elizabeth Borgianni (TJSP) e Esther Arantes (UERJ)

Tarde
Mesa: “Diálogos possíveis entre as profissões”
Com Maria Livia Nascimento (UFF) e Fátima Grave (UFRJ)


Fonte: http://www.crprj.org.br/noticias/2012/040401-%20CRP%20e%20CRESS%20organizam%20II%20Encontro%20de%20Psic%C3%B3logos%20e%20Assistentes%20Sociais%20do%20Campo%20Sociojur%C3%ADdico.html


segunda-feira, 9 de abril de 2012

A CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN




A criança com Síndrome de Down tem maior probabilidade de apresentar um comprometimento da saúde em virtude de alterações congênitas e predisposições características da síndrome. Este comprometimento pode afetar o coração, os pulmões, a coluna cervical, a produção de hormônios, a visão e a audição.


Como Detectar os Problemas de Saúde?

Cardiopatias 
As cardiopatias congênitas estão presentes em aproximadamente 50 % dos casos. Ela deve ser detectada com urgência, para que a criança possa ser encaminhada para a cirurgia cardíaca em tempo hábil.
Logo ao nascimento, a criança deve passar por um minucioso exame cardiológico, que inclui desde a ausculta dos batimentos cardíacos, a constatação da possível presença de sopro, o exame anatômico do tórax, até a realização de exames mais completos como o eletrocardiograma e principalmente o ecocardiograma.

Os problemas mais comuns encontrados são:
·        Defeito do canal atrioventricular.
·        Comunicação interventricular.
·        Comunicação inter-atrial.
·        Tetralogia de Fallot.

A criança que possui uma cardiopatia congênita pode apresentar alguns sinais indicadores, como: baixo ganho de peso; desenvolvimento mais lento quando comparada às outras crianças com a mesma síndrome; malformações torácicas; cianose de extremidades; cansaço constante.
No entanto, toda criança com Síndrome de Down, independentemente da presença destes sinais, deve ser examinada por um cardiologista e submetida aos exames aconselhados, principalmente o ecocardiograma.

Problemas Pulmonares 
A maioria das crianças com Síndrome de Down apresenta constantes resfriados e pneumonias de repetição. Isto se deve a uma predisposição imunológica e à própria hipotonia da musculatura do trato respiratório. Como o problema é crônico, é desaconselhável o uso repetido de antibióticos. O ideal é trabalhar na prevenção das doenças respiratórias, através de exercícios específicos de sopro, da prática de atividades físicas que aumentem a resistência cárdio-respiratória, da higiene nasal com soro fisiológico e do uso de manobras específicas como capotagem, vibração e drenagem postural para evitar o acúmulo de secreção.
A natação pode ser aconselhada quando não há contra indicações devido à presença de otites ou cardiopatias.

Instabilidade Atlanto-Axial 
Aproximadamente 10 a 20% das crianças ou jovens com Síndrome de Down apresentam a instabilidade atlanto-axial. Esta alteração consiste em um aumento do espaço intervertebral entre a primeira e segunda vértebra da coluna cervical. Ela é causada por alterações anatômicas (hipoplasia do processo odontóide) e pela hipotonia músculo-ligamentar. A instabilidade pode levar a uma subluxação, e esta pode causar lesão medular ao nível cervical, gerando comprometimento neurológico (sensitivomotor) ou até a morte, por parada respiratória ocasionada por lesão do centro respiratório medular. É aconselhável que toda criança com Síndrome de Down seja submetida a um Raio-X cervical nas posições de flexão, extensão e neutra para avaliação minuciosa do espaço intervertebral entre atlas (1ª vértebra) e áxis (2ª vértebra). O Raio-X deve ser analisado por um médico especialista para obtenção de um laudo seguro,
Quando detectada a condição de instabilidade, a criança deverá, dependendo do grau de comprometimento, ser encaminhada para cirurgia (na qual é feita a artrodese, ou seja, a fusão das duas vértebras), ou ser orientada quanto à prática de algumas atividades físicas. São contra indicados os movimentos bruscos do pescoço, que podem ocorrer em atividades como: mergulho, nado golfinho, cambalhotas, equitação. No caso de cirurgias nas quais a criança deverá ser entubada, o Raio-X é essencial devido à manobra de posicionamento do pescoço para entubação.
O Raio-X é indicado a partir de dois anos e meio a três anos de idade, podendo ser repetido outras vezes conforme orientação médica.

Problemas de tireóide 
A disfunção mais comum da tireóide nas pessoas com Síndrome de Down é o hipotireoidismo. Ela ocorre em aproximadamente 10% das crianças e em 13 a 50 % dos adultos com a síndrome.
A presença desta alteração pode ser a causa da obesidade, além de prejudicar o desenvolvimento intelectual da criança.
É importante que a criança seja submetida a exames anuais da dosagem dos hormônios da tireóide (T3, T4 e TSH), para que possa ser tratada precocemente e não seja comprometida em seu desenvolvimento geral.

Problemas visuais 
É comum a criança com Síndrome de Down apresentar problemas visuais. Cerca de 50% delas têm dificuldade na visão para longe, e 20% na visão para perto. Os problemas mais comuns são a miopia, hipermetropia, astigmatismo, estrabismo, ambliopia, nistagmo ou catarata. Algumas crianças têm apresentado também obstrução dos canais lacrimais.
É aconselhável que a criança com Síndrome de Down seja examinada por um oftalmologista anualmente, para que seja indicado o procedimento mais adequado a ela. A correção pode ser cirúrgica ou feita através do uso de óculos. A correção do problema visual é muito importante, uma vez que a criança pode ser prejudicada em seu desenvolvimento global por não enxergar bem.
A adaptação com os óculos deve ser gradual, dependendo da idade de cada criança. A maioria das vezes, a criança acaba se acostumando logo e gosta de usar óculos, pois sente-se mais segura para realizar diferentes atividades.

Problemas auditivos 
Grande parte das crianças com Síndrome de Down (cerca de 60 a 80%) apresenta rebaixamento auditivo uni ou bilateral. Anualmente, a criança deve ser examinada e avaliada por um otorrinolaringologista para detecção de problemas e tratamento adequado.
Os déficits auditivos são leves ou moderados na maioria dos casos, e podem ter como causas:
·        Aumento de cera no canal do ouvido.
·        Acúmulo de secreção no ouvido médio.
·        Freqüentes infecções de ouvido, formato anormal dos ossículos no ouvido médio.
Como a presença de otite média crônica é comum, e muitas vezes a criança não apresenta quadro clínico, o exame deve ser bastante minucioso.
O rebaixamento auditivo também pode prejudicar o desenvolvimento global da criança.

Outros 
Outras complicações têm sido observadas em relação à saúde da pessoa com Síndrome de Down.
Casos de distúrbios emocionais, depressão, doença de Alzheimer, autismo e leucemia estão associados, ainda que alguns em baixos índices, ao jovem ou ao adulto com Síndrome de Down.
Faz-se necessário lembrar que os problemas médicos e a necessidade de um acompanhamento especial para estas pessoas não devem ser empecilhos para que elas tenham uma vida normal e participem ativamente da vida escolar e social. É importante ter claro que quanto antes e melhor for atendida a criança com Síndrome de Down maiores chances ela terá de um bom desenvolvimento e integração social.

 

PERSPECTIVAS FUTURAS


Há uma preocupação generalizada, tanto de pais como de profissionais, sobre quais são as perspectivas futuras para a pessoa com Síndrome de Down desde a expectativa de vida o grau de independência que possa atingir.
A expectativa de vida aumentou consideravelmente hoje em dia, devido aos progressos na área médica. Anos atrás, a maioria das mortes era causada por problemas cardíacos e por infecções respiratórias. Hoje, as cirurgias e os tratamentos medicamentosos e profiláticos fazem parte da rotina da maioria dos hospitais especializados, garantindo um atendimento mais adequado.
Com melhores condições de saúde, a pessoa com Síndrome de Down pode ter um melhor desenvolvimento, resultando em uma maior independência.

Inclusão Social 
Embora atualmente alguns aspectos da Síndrome de Down sejam mais conhecidos, e a pessoa trissômica tenha melhores chances de vida e desenvolvimento, uma das maiores barreiras para a inclusão social destes indivíduos continua sendo o preconceito.
No entanto, embora o perfil da pessoa com Síndrome de Down fuja aos padrões estabelecidos pela cultura atual - que valoriza sobretudo os padrões estéticos e a produtividade -, cada vez mais a sociedade está se conscientizando de como é importante valorizar a diversidade humana e de como é fundamental oferecer equiparação de oportunidades para que as pessoas com deficiência exerçam seu direito de conviver na sua comunidade
Cada vez mais, as escolas do ensino regular e as indústrias preparadas para receber pessoas com Síndrome de Down têm relatado experiências muito bem-sucedidas de inclusão benéficas para todos os envolvidos.
A participação de crianças, adolescentes, jovens e adultos com Síndrome de Down nas atividades de lazer é encarada cada vez com mais naturalidade e pode-se perceber que já existe a preocupação em garantir que os programas voltados à recreação incluam a pessoa com deficiência.
Para garantir a inclusão social da pessoa com Síndrome de Down, devemos:
·        Transmitir informações corretas sobre o que é Síndrome de Down.
·        Receber com naturalidade pessoas com Síndrome de Down em locais públicos.
·        Estimular suas relações sociais e sua participação em atividades de lazer, como esportes, festas, comemorações e outros encontros sociais.
·        Garantir que os responsáveis pela programação voltada ao lazer, à recreação, ao turismo e à cultura levem em consideração a participação de pessoas com Síndrome de Down.
·        Garantir que os departamentos de Recursos Humanos das empresas estejam preparados para avaliar adequadamente e contratar pessoas com Síndrome de Down.
·        Não tratar a pessoa com Síndrome de Down como se fosse "doente". Respeitá-la e escutá-la.

Independência 
Hoje não se pode precisar até que grau de autonomia a pessoa com Síndrome de Down pode atingir, mas acredita-se que seu potencial é muito maior do que se considerava há alguns anos.
Os programas educacionais atuais preocupam-se desde cedo com a independência, a escolarização e o futuro profissional do indivíduo. Os conteúdos acadêmicos devem ser voltados não só para a leitura, escrita e as operações matemáticas, mas para a preparação do indivíduo para a vida.
Sendo assim, fará parte do currículo a obtenção do máximo grau de independência e a orientação vocacional.
A independência objetivada neste tipo de programa engloba desde habilidades básicas, como correr, vestir-se ou cuidar da higiene íntima até a utilização funcional da leitura, do transporte, do manuseio do dinheiro e o aprendizado para tomar decisões e fazer escolhas, bem como assumir a responsabilidade por elas.
A orientação vocacional deve ser realizada com base nas aptidões individuais, com a possibilidade de diferentes atividades no emprego.
Ainda hoje, a maior parte do trabalho oferecido à pessoa com Síndrome de Down é aquele repetitivo. Não há nenhum problema em realizar essas tarefas, desde que estas não sejam as únicas atividades disponíneis, nem a única opção de trabalho para a pessoa com Síndrome de Down.
A profissionalização deve ocorrer da mesma maneira como ocorre para indivíduos sem a Síndrome, ou seja, a pessoa precisa conhecer as opções de trabalho para optar por aquela para a qual é mais hábil e que lhe ofereça melhores condições salariais.
É importante lembrar que a lei garante a estas pessoas os direitos inerentes a todos os seres humanos e cidadãos, entre eles, o direito de viver na sua comunidade com a sua família, o direito à dignidade, à saúde, à educação, ao emprego e ao lazer.
Estes direitos não devem ficar só no papel. É preciso conscientizar a sociedade, as famílias e principalmente as próprias pessoas com Síndrome de Down, para que elas possam reivindicar o respeito a esses direitos.