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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Depressão Infantil e Separação dos pais



  Esta semana saiu no Jornal Local edição número 316 com publicação em 22 de novembro de 2012 uma matéria do Giovanni Nogueira que me entrevistou a respeito da Depressão em crianças e em adolescentes. Intitulou-se “Depressão: O que é e como evitar- parte 02: A infância e a adolescência. 
  Outro tema foi abordado na reportagem: como a separação dos pais pode influenciar a vida dos filhos, e se ela pode ser desencadeadora da depressão.
  A seguir vem um resumo desta reportagem. Maiores informações o Jornal Local é vendido em vários pontos comerciais de Valença- RJ.
  No ínterim da separação de um casal há uma maior probabilidade de sofrimentos pelos filhos devidos às discussões e em algumas vezes, agressões físicas. Os desentendimentos no geral (tanto antes como a posterior separação) causa sofrimento no jovem.
  É normal que a criança possa após a separação do casal apresentar certa nostalgia de quando seus pais estavam juntos. As crianças sempre desejam que seus pais permaneçam juntos até mesmo após a separação, podendo apresentar certas fantasias de que eles irão voltar a viver juntos. 
  Tanto crianças como adolescentes (os jovens no geral) sofrem um luto (já que toda separação é um luto, e que este não necessariamente é sinônimo de morte física). 
  A criança necessita de tempo para elaborar a situação da separação dos pais.
  O ideal é que os pais sempre falem a verdade para a criança, seja no caso da separação, seja no caso da morte de um ente querido. Por mais que haja um encobrimento da verdade (quando a verdade é oculta) a criança por ser muito perspicaz e observadora sabe que há na situação um segredo. Para não haver confusão no entendimento da situação pelo jovem, o melhor a se fazer é não encobrir verdades, ser explícito e claro fazendo-se utilizar da linguagem que a criança se utiliza (a melhor forma de lhe comunicar os acontecimentos).
  O luto sempre traz consigo a conotação de perda e frustração. Quando não bem administrada esta situação na vida da criança poderá ser apresentado não só os casos de alguns distúrbios, bem como comprometer a vida futura no que se refere a problemas de relacionamento.

Culpa
 Em muitos casos, a criança pode se sentir culpada pela separação do casal e isto lhe ocasionar grande sofrimento psíquico. Lembrando que a culpa faz parte de uma das etapas do processo do luto. Esta culpa mal trabalhada pode desencadear comportamentos de agressividade, rebeldia, quadros de depressão, entre outros.
  Para não haver tais sofrimentos maiores e amenizar tal sentimento inevitável, o aconselhado é conversar com a criança e deixar claro que a separação do casal nada tem a ver com o amor que tem pelos filhos. Uma conversa baseada na sinceridade e que fique bem explicitado que ela não é a culpada pela situação. 

Como a separação é passada ao jovem 
  O que desestabiliza a criança não é necessariamente a separação, mas como ela é apresentada à criança. Ex.: pais conscientes e estabilizados que encaram a separação de forma madura, o filho sofrerá menos, bem como poderá ocorrer o contrário: pais desestabilizados tenderão a apresentar a separação de maneira conturbada deixando o filho mais propício a um sofrimento maior.

Os pais e a convivência com o filho após a separação 
  Há que se ter um bom planejamento da “divisão” deste filho. 
  Com a diminuição do convívio, o casal terá que entrar em um acordo conciliando a não perda de alguma das partes no que se refere aos encontros entre pai e filho, mãe e filho. 
  O convívio saudável com os pais é benéfico e essencial para um bom desenvolvimento como um todo. 
  O que se tem comentado e discutido atualmente tanto entre psicólogos quanto entre os juristas é que a guarda compartilhada oferece maiores benefícios para os pais e para as crianças. A guarda unilateral (de uma parte só), até então é a mais conhecida e praticada.

Dificuldade no processo de elaboração da criança 
  Uma das possíveis dificuldades da criança em lidar com a separação das figuras parentais pode ser “como o amor pode acabar?” e “ se o amor entre os dois acabou como saber se eles me amam ainda também?”


A idade e os diferentes tipos de reações
  Pesquisas indicam que crianças em idade pré- escolar (3- 05 anos) são mais vulneráveis, uma vez que não podem entender situações complexas podendo apresentar uma regressão no seu desenvolvimento e voltar a urinar na cama, demonstrar medos, apresentar alterações do sono e tornarem-se irritáveis, exigentes, muito solícitos e mais dependentes dos pais. Podem apresentar muitas das vezes baixo rendimento escolar.
  Os adolescentes podem sentir falta dos pais na formação da identidade, “questionar a autoridade apresentando rebeldia excessiva, dificuldade em aceitar regras e ainda dificuldades de aprendizagem e baixo rendimento escolar”. Podem também adotar atitude reservada e distante socialmente com o intuito de controlar a si mesmo.

A Depressão Infantil
  Muitos adultos fazem na maioria das vezes, uma imagem distorcida da infância. Em uma visão distorcida de que a criança não tem problemas, logo não tem depressão.
  Na verdade problemas, tristeza e depressão são conceitualmente distintos.
  A depressão significa um transtorno do afeto, sendo ela uma patologia/ doença que em sua base bioquímica apresenta desestabilidade cerebral.
Muitos estudiosos, inclusive alguns psicólogos, muitas das vezes tem uma conceituação da depressão distorcida associando sua origem às vivências, excluindo a possibilidade neuroquímica.

Por que é tão difícil o diagnóstico da Depressão Infantil e/ ou a percepção dela?
  Na maior parte este quadro pode ser mascarado pela irritabilidade, agressividade, hiperatividade e rebeldia fazendo com que o jovem seja diagnosticado de forma incorreta e enquadrado em diversos outros transtornos como hiperatividade, transtornos de conduta, transtorno opositor, e ansiedade de separação na infância.

Sintomas da depressão em jovens:
1. Alteração de humor, com irritabilidade e ou choro fácil

2. Ansiedade

3. Desinteresse em atividades sociais, como ir a escola, brincar com os amigos ou com brinquedos

4. Falta de atenção e queda no rendimento escolar

5. Distúrbios de sono, como dificuldade pra dormir ou ter sono o dia inteiro

6. Perda de energia física e mental

7. Reclamações por cansaço ou ficar sem energia

8. Sofrimento moral ou insatisfação consigo mesmo, sentimento de que nada do que faz está certo

9. Dores na barriga, na cabeça ou nas pernas

10. Sentimento de rejeição

11. Condutas antissociais e destrutivas

12. Distúrbios de peso, emagrecer ou engordar demais

13. Enurese e encoprese (xixi na cama e eliminação involuntária das fezes)

Referências Bibliográficas:
 Brito, Leila Maria Torraca de. Paternidades contestadas: a definição da paternidade como um impasse contemporâneo. Belo Horizonte: Del Rey, 2008.

Brito, Leila Maria Torraca de.Famílias e separações: perspectivas da psicologia jurídica. Rio de Janeiro: Ed UERJ, 2008.

Coord. Organiz. Mund. da Saúde; trad. Dorgival Caetano. Classificação de Transtornos mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições clínicas e diretrizes dianósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993.


 


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Vídeo para as crianças

Este vídeo é uma maneira de agradecimento ao aprendizado gigante que recebemos quando nos envolvemos seja no convívio ou no trabalho com crianças: http://www.youtube.com/watch?v=59EhqBN_deA&feature=youtu.be

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cartilha do Projeto contra a Pedofilia




INTRODUÇÃO

Esta cartilha tem por objetivo trazer ao contexto da cidade de Vassouras e ao seu entorno a problemática da pedofilia, que ronda as instituições da cidade, mas que não é denunciada ou identificada pela maioria das pessoas. Através do projeto de pesquisa, intitulado “Pedofilia: Em Defesa De Um Corpo Em Desenvolvimento”, desenvolvido pela Universidade Severino Sombra, busca-se difundir informações e esclarecimentos à sociedade, para que cada indivíduo se torne um multiplicador das informações aqui constantes. É um dever de todos, da família, da escola, do Estado assegurar à criança e ao adolescente com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (art 227, Constituição Federal, 1988). Portanto, a presente cartilha vem propor um esclarecimento dessa problemática, a fim de mobilizar a sociedade para a questão da pedofilia que, muitas vezes, ocorre de forma silenciosa, dentro dos lares, das escolas, das igrejas e demais instituições sociais.

O QUE É PEDOFILIA ?

Segundo a classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID-10, 2007: F65.4) Pedofilia é a preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas, ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes ou no inicio da puberdade (pré-adolescência). É um distúrbio sexual, no qual o individuo adolescente ou adulto, de ambos os sexos, apresenta atração sexual por crianças e por pré-adolescentes. O simples desejo sexual e não apenas o sexo, já caracteriza pedofilia. Não é preciso que haja sexo para haver pedofilia.

QUEM PODE SER PEDÓFILO ?

O pedófilo pode ser homem ou mulher, de qualquer classe social, e tem que ter mais de 16 anos e ser 5 anos mais velho que a vítima. Só existe pedofilia quando os crimes forem praticados contra menores de 14 anos.

PEDOFILIA É CRIME ?

Em nossa legislação não existe um crime intitulado “pedofilia”, assim, as conseqüências do comportamento de um pedófilo é que podem ser consideradas crime.

QUAIS OS CRIMES COMETIDOS POR PEDÓFILOS ?

Abuso Sexual (art165 do Código Penal) - É uma violência praticada por pessoas contra crianças e adolescente, dentro ou fora da família, para obter satisfação sexual. Constrangimento Ilegal (art 146 do Código Penal) – É quando alguém constrange, mediante violência ou grave ameaça, o outro a fazer ou deixar de fazer algo. Ameaça (art 147 do Código Penal) – consiste em ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de forma a causar-lhe mal. Seqüestro e Cárcere Privado (art 148 do Código Penal) – privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado, impedindo que ela saia de determinado lugar, mantendo-a presa contra a sua vontade. Lesões Corporais (art 129 do Código Penal) - acontece quando alguém agride outra pessoa fisicamente, causando alteração em sua integridade física. Estupro e Atentado Violento ao Pudor (art 213 do Código Penal) – ocorre quando alguém é constrangido, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso. Violência Sexual Mediante Fraude (art 215 do Código Penal) – ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude, ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. Estupro de vulnerável (art 217-A do Código Penal) – ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos. Corrupção de Menores (art 218 e 218-A do Código Penal) – induzir alguém menor de 14 (catorze) anos, a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem. Pornografia Infantil (art 240 a 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente) - divulgação e publicação de fotografias ou imagens pornográficas envolvendo infantes ou venda dessas imagens.

COMO IDENTIFICAR UMA VÍTIMA DE PEDOFILIA ?

Em geral, as vítimas podem apresentar um ou mais dos sinais e sintomas abaixo:
Dificuldade de caminhar e sentar.
Traumatismo físico ou lesões corporais, por uso de violência física.
Medo generalizado.
Agressividade, fugas frequentes de casa.
Mudanças extremas, súbitas e inexplicadas no comportamento, como oscilações no humor entre timidez e extroversão.
Tristeza, abatimento profundo ou depressão crônica. Fraco controle de impulsos e comportamento autodestrutivo ou suicida.
Ansiedade generalizada, comportamento tenso, sempre em estado de alerta, fadiga. Esgotamento físico.
Hipersexualidade – brincadeiras de conotação sexual.
Uso e abuso de substâncias como álcool, drogas lícitas e ilícitas.
Pontualidade exagerada, quando ainda freqüenta a escola; demonstra pouco interesse ou mesmo resistência em voltar para casa após a aula.
Não participação ou pouca participação nas atividades escolares.
Dificuldade de concentração e aprendizagem, resultando em baixo rendimento escolar.
Alto índice de abandono escolar.
O surgimento de objetos pessoais, brinquedos, dinheiro e outros bens, que estão além das possibilidades financeiras da criança/adolescente e da família, pode ser indicador de favorecimento e/ou aliciamento.
Tendência ao isolamento social, com poucas relações com colegas e companheiros.
Transtorno do déficit de atenção – hiperatividade.
Transtornos alimentares, como bulimia e anorexia.
Trasntornos de estresse pós-traumático.
Transtornos do sono.
Enurese (micção noturna).

ONDE POSSO DENUNCIAR ?

Para denunciar um caso, ou uma suspeita de pedofilia basta entrar em contato com um dos órgãos abaixo:

INTERNACIONAL: Interpol – www.interpol.int FBI – www.cybercrime.gov/reporting.htm

NACIONAL Polícia Federal – www.dpf.gov.br Safernet Brasil – http://denunciar.org.br

Site Censura – www.censura.com.br

ESTADUAL CDDH – denunciarcddh@yahoo.com.br / (21) 3382-2335

DISK 100 É GRATUITO!!! HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO 08:00 ÁS 22:00 HORAS

TODOS OS DIAS DISKDENUNCIA@SEDH.GOV.BR

EU PRECISO ME IDENTIFICAR? Não, qualquer denuncia desse tipo não exige identificação do denunciante.

PROTEGER AS CRIANÇAS É DEVER DE TODOS NÓS. QUEM DENUNCIA SALVA !!!

REFERÊNCIAS CID-10/ Organização Mundial da Saúde: tradução Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em português, 10. Ed.rev.-São Paulo: editora da Universidade de São Paulo, 2007, p.359.

Cartilha sobre Violência sexual infantil: Produção: Ministério da Educação, Ministro Fernando Haddad; Universidade de Brasília;Prof. Dr. Timothy Mulholland-Decanato Extensão;Profª Dra. Leila Chalub Martins; Grupo de Pesquisa sobre Violência e Exploração Sexual – VIOLES-Profª Dra. Maria Lúcia Pinto Leal.

PSIC - Revista de Psicologia da Vetor Editora, v. 6, nº 1, p. 27-34, Jan./Jun. 2005- Abuso sexual na infância: um estudo de validade de instrumentos projetivos, Ana Rita da Fonseca – Centro Universitário Salesiano de São Paulo; Cláudio Garcia Capitão – Universidade São Francisco;

FELIPE, J. Afinal, quem é mesmo pedófilo? Cadernos Pagu (26), janeiro-junho de 2006: pp.201-223.

Lei nº 12.015, de 07 de agosto de 2009.


Lei 8069, de 13 de julho de 1990, Estatuto da Criança e do Adolescente. 
 
ORGANIZAÇÃO

Autores:


- Prof. Arnaldo Risman, Coordenador do Projeto de Pesquisa “Pedofilia: em defesa de um corpo em desenvolvimento”, mestre em sexologia. - Rosania Lucia Figueira, advogada, mestre em saúde e meio ambiente, acadêmica do 9º período do Curso de Psicologia da Universidade Severino Sombra. - Stephanie Cristina Gonçalves Silva Miranda, acadêmica do 2° período do Curso de Psicologia da Universidade Severino Sombra.

Contato: grupo.risman@gmail.com

Colaboradores:

- Alunos integrantes do projeto de pesquisa “Pedofilia: em defesa de um corpo em desenvolvimento”

Apoio:

- Universidade Severino Sombra. - Banco do Brasil. - Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, fórum da Comarca de Vassouras-RJ. - Secretarias de Educação e de Saúde do Município de Vassouras/RJ. - Conselho Tutelar, Vassouras-RJ. - CEPCOS – Centro de Pesquisa do Comportamento e Sexualidade/SP.

Fonte: http://pesquisapedofiliauss.blogspot.com.br/2010/10/cartilha-do-projeto-contra-pedofilia.html?showComment=1349828775694#c359663014046690562

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Como lidar com o Transtorno de Conduta: Novas perspectivas




Diagnóstico

O transtorno de conduta é uma espécie de personalidade antissocial na juventude. Como a personalidade não está completa, antes dos dezoito anos não se pode dar o diagnóstico de personalidade patológica para menores, mas a correspondência que existe entre a personalidade antissocial e o transtorno de conduta é muito próxima. Basicamente consiste numa série de comportamentos que perturbam quem está próximo, com atividades perigosas e até mesmo ilegais. Tais jovens e crianças não se importam com os sentimentos dos outros nem apresentam sofrimento psíquico por atos moralmente reprováveis. Assim o comportamento desses pacientes apresenta maior impacto nos outros do que nos próprios.

Certos comportamentos como mentir ou matar aula podem ocorrer em qualquer criança sem que isso signifique desvios do comportamento, contudo a partir de certos limites pode significar. Para se diferenciar o comportamento desviante do normal é necessário verificar a presença de outras características e comportamentos desviantes, a permanência deles ao longo do tempo. Além das circunstâncias em que o comportamento se dá as companhias, o ambiente familiar, os valores e exemplos que são transmitidos devem ser avaliados para o diagnóstico. 

Curso

Tem sido observada uma tendência a se tratar de um problema duradouro que inicia na infância podendo chegar à idade adulta. Como é um transtorno relativamente novo não se pode afirmar cientificamente que durará a vida toda. Por enquanto tem se verificado que quanto mais precoce o início, maior a gravidade e tendência a durar ao longo da vida. Os sintomas vão dos mais leves como mentiras, falta às aulas até os mais graves como agressões físicas ou abuso de drogas. O desinteresse escolar e o próprio comportamento desviante levam ao fracasso acadêmico, tornando o futuro dessas crianças ou adolescentes mais limitado. O encontro com outras pessoas com o mesmo perfil pode ocasionar na formação de gangues, o que significa um primeiro passo na direção de atividades ilegais em grupo. Nesse caso as companhias podem precipitar as atividades delinquentes.


O ambiente escolar tanto pode incentivar como inibir, dependendo de suas características. Constata-se que uma boa escola faz diferença para a educação e formação dos adolescentes e crianças. Igualmente o suporte familiar e o envolvimento afetivo. A identificação com uma pessoa de boa índole tanto pode atenuar o comportamento como precipitar e aprofundar um comportamento patológico quando o parceiro afetivo age nesse sentido.

Um ciclo vicioso entre gerações é observado no ambiente antissocial do transtorno de conduta. Filhos de pais antissociais tendem a ser antissociais que por sua vez tendem a educar filhos antissociais perpetuando o ciclo. Não há evidências suficientes para se afirmar que esse problema seja mais genético do que ambiental, ou o contrário. Os estudo mostram influência genética, mas isso apenas não é suficiente para fazer surgir o transtorno de conduta.

Fatores associados ao comportamento antissocial

Na juventude- Historicamente, foi com o estabelecimento de clínicas vinculadas ao juizado de menores que profissionais de saúde mental puderam observar o desenvolvimento do comportamento antissocial na infância e adolescência. Ao constatar-se a grande frequência de problemas familiares e sociais na história de vida dos delinquentes juvenis, formulou-se a hipótese de uma reação às adversidades encontradas tanto no ambiente familiar como na comunidade. 

O jovem experimenta um impulso de busca do objeto, de alguém que possa encarregar-se de cuidar dele, esperando poder confiar num ambiente estável, capaz de suportar a tensão resultante do comportamento impulsivo. O ambiente é repetidamente testado em sua capacidade para suportar a agressão, tolerar o incômodo, impedir a destruição, preservando o objeto que é procurado e encontrado.

Na infância- Ser do sexo masculino, receber cuidados maternos e paternos inadequados, viver em meio à discórdia conjugal, ser criado por pais agressivos e violentos, ter mãe com problemas de saúde mental, residir em áreas urbanas e ter nível socioeconômico baixo.

Alguns autores referem que a baixa renda associada ao comportamento antissocial da criança está relacionada à personalidade antissocial materna e à negligência por parte dos pais. De fato, pode-se supor que mães antissociais teriam maior dificuldade para atingir níveis de renda mais elevados, pois não se manteriam no emprego e teriam menor condição de manter um relacionamento estável com um marido ou companheiro que contribuísse com a renda familiar. Pais antissociais também são frequentemente irresponsáveis e negligentes com seus filhos, deixando de alimentá-los adequadamente ou levá-los ao médico quando doentes. Além disso, adolescentes vivendo na pobreza e pouco valorizados pelos pais podem buscar reconhecimento pessoal e ascensão econômica através de atividades delinquenciais grupais.
Quanto ao ambiente familiar agressivo e violento, não se pode deixar de mencionar a influência da violência doméstica e do abuso físico sobre o comportamento antissocial na infância.

Fatores genéticos e neurofisiológicos também podem estar envolvidos no desenvolvimento do comportamento antissocial. Estudiosos relatam que a taxa de criminalidade nos pais biológicos é maior que nos pais adotivos de indivíduos com antecedentes criminais. A influência genética é mais evidente nos casos acompanhados de hiperatividade e pode ser responsável pela maior vulnerabilidade do indivíduo aos eventos de vida e ao estresse.

Finalmente, há indícios de diferenças nos fatores de risco para o comportamento antissocial segundo o sexo do indivíduo. Em levantamento populacional realizado no Canadá, envolvendo 1.651 indivíduos com 16 a 24 anos, verificou-se que além da presença de comportamentos antissociais antes dos 15 anos, outros fatores foram considerados de risco para comportamento antissocial na adolescência e início da vida adulta. Para os homens, foi fator de risco o fato de ter convivido na infância com pais com problemas de saúde mental (depressão, mania, episódios psicóticos), enquanto para as mulheres, destacaram-se o abuso sexual na infância e o fato de ter sido criada por pais com comportamento antissocial ou abuso de álcool/drogas.


Comorbidade

As crianças e adolescentes com transtorno de conduta apresentam também mais do que outras pessoas na mesma faixa etária, incidência de transtornos mentais. O mais frequente é o déficit de atenção com hiperatividade, estando presente em aproximadamente 43% dos casos, os transtornos de ansiedade e obsessivo-compulsivos em 33% dos casos. O abuso de substâncias psicoativas também é mais elevado dentre os adolescentes com transtorno de conduta.

Tratamento

Os tratamentos citados na literatura não apresentam respostas satisfatórias, mas alguma melhora do comportamento é possível de ser obtida com uma intervenção em diferentes áreas. A psicoterapia individual usa de medicação para os sintomas mais proeminentes, psicoterapia familiar, orientação de pais, treinamento dos envolvidos no trato direto como os professores. Abordagens isoladas como psicoterapia individual dificilmente surtirão algum benefício. Atividades extracurriculares podem ter grandes benefícios como natação e musicalidade. O jogo de Xadrez pode ser muito bem desempenhado no caso de crianças/ adolescentes com transtorno de conduta, pois estimula a consciência do limite necessário para a convivência dentro da sociedade, além do raciocínio.





Reserva de diferencial teórico

Boa parte da literatura quando tratados sobre os transtornos de conduta e antissociais vem regados de declarações como falta de sentimentos, ou sentimentos hostis para o mundo externo. No diagnóstico de algum transtorno antissocial ou algum outro quadro acompanhado de alguns sintomas da não socialização ou socialização patológica (antissocial), nem sempre esses indivíduos mantém sentimentos e / ou atitudes hostis, eles podem sentir o contrário da hostilidade (que nem sempre o amor), mas algo que assemelha a sentimentos bons e fraternos. O universo de seus sentimentos é controverso e seu funcionamento é ambíguo. 
Temos como exemplo o caso de Elize Matsunaga envolvida na morte de seu marido Marcos Kitano Matsunaga no caso “Yoki”, acusada de matar seu marido. Elize mantinha sentimentos pela filha e preocupação com a mesma. 

Não estranhem que tais pessoas exclamem fortes sentimentos de amor, cumplicidade por algo ou alguém, eles podem ser verdadeiros, mas virem acompanhados também de atitudes contrárias ou deslocadas para alguma outra área específica. 

Um exemplo é de um empresário que dentro de uma empresa mostra ser um grande líder, autoritário e não ter piedade de ninguém, mas que em casa e em seu casamente demonstra ser atencioso e marido cúmplice.
O mais plausível em casos antissociais e em outros quadros de transtornos mentais é encarar o sujeito como sendo único, apesar de seu comprometimento psíquico, e sua subjetividade dentro de seu tratamento, entendendo que cada ser humano é único e merece respeito pela sociedade, além de ter o direito da responsabilidade do tratamento da sua própria cura. Outra atitude importante é analisar a situação como um todo, não descartando as diversas possibilidades e complexidades do ser humano (tal se faz a importância de uma análise em consultório). Não devemos esquecer que cada indivíduo é único tanto na dor quanto no amor.

Conclusão

Comportamentos antissociais são frequentemente observados no período da adolescência como sintomas isolados e transitórios. Porém, estes podem surgir precocemente na infância e persistir ao longo da vida, constituindo quadros psiquiátricos de difícil tratamento. Fatores individuais, familiares e sociais estão implicados no desenvolvimento e na persistência do comportamento antissocial, interagindo de forma complexa e ainda pouco esclarecida. Como o comportamento antissocial torna-se mais estável e menos modificável ao longo do tempo,30 crianças e adolescentes com transtorno da conduta precisam ser identificados o mais cedo possível para que tenham maior oportunidade de beneficiar-se de intervenções terapêuticas e ações preventivas. O tratamento mais efetivo envolve a combinação de diferentes condutas junto à criança/adolescente, à família e à escola. Quando não é possível o acesso a intervenções complementares, o profissional de saúde mental deve identificar a conduta terapêutica prioritária em cada caso específico.

Fontes que auxiliaram a pesquisa:
http://www.psicosite.com.br/tra/inf/conduta.htm
http://www.scielo.br/scielo.

Revisão: Jaqueline Cristina.