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quarta-feira, 6 de março de 2013

Quando procurar um Psicólogo?



Muitas pessoas pensam em procurar um psicólogo quando já estão doentes psiquicamente ou apresentam certo tipo de angústia insuportável. Outros só buscam a ajuda de um profissional da área quando encaminhados por um Médico a partir de algum diagnóstico de Depressão, Transtorno Bipolar, entre outras patologias.
Sair para um barzinho e conversar com um amigo a fim de diminuir problemas, entre outros aparentes diminuidores do sofrimento amenizará a angústia, mas nem sempre cessará o problema.
Estas atitudes apesar de apresentar certo alívio mostram-se passageiras e novamente o problema parece cada vez mais ser salientado. Tais se mostram como fugas, e estas nada mais têm como objetivo mascarar uma situação.
A Psicologia enquanto ciência e profissão objetiva o aprimoramento pessoal utilizando os recursos internos do indivíduo afim de “bancar” o sofrimento emocional.
O Psicólogo tem fundamental importância no que se refere em escutar sem julgar, além de utilizar técnicas que objetivam o autoconhecimento e auto- estima positiva.
Muitas das vezes, pessoas próximas como amigos e familiares pensando em ajudar a pessoa querida podem enriquecer o problema ao invés de cessar.
Erroneamente algumas pessoas por “pré – conceito” confunde a atribuição do Psicólogo a apenas doentes mentais, o que está sendo descaracterizado pela prática cada dia mais universal da análise de si.
Na verdade aqueles que ousam tratar como tal são na verdade pessoas que apresentam medo de encarar-se declarando a atuação psicológica como sendo para “loucos”. O que não é!
O Psicólogo e o atendimento psicológico são importantes instrumentos para o re- encontro de si e não o afastamento ou o embotamento do eu verdadeiro. É um aprimoramento da pessoa em busca de uma vida mais plena e agradável.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Freud e o Cavalo Branco

       
        
          Desde que iniciei meus trabalhos em clínica utilizei um símbolo para as publicidades do consultório: o cavalo branco. Alguns chegados perguntavam- me o porquê de ser um cavalo e ser da cor branca. Resumia o motivo, mas aqui, neste post, venho explicitar maiores detalhes a causa da minha escolha.

        Freud em um de seus escritos “Análise de uma fobia em um menino de cinco anos” de 1909 descreve o primeiro tratamento psicoanalítico em uma criança. Tamanha é a importância desde trabalho, que a maioria daqueles que buscam o entendimento da psiquê infantil buscam tal passagem da obra freudiana. Esta análise é costumeiramente reconhecida como o “Caso do Pequeno Hans”. Hans em alemão significa cavalo.

A criança em questão apresentava crises de ansiedade e sintomas de fobia, impedindo- o de sair de casa. Tal era compreendido através do temor do menino em deparar- se com um cavalo.

Aos 4 anos e 8 meses foram apresentados indícios de fobia relacionados a dois acontecimentos em específico, são eles: sentia grande temor ao ver um cavalo cair no chão- resfolegar e espernear; e temia ser atacado/ mordido pelo cavalo.

Durante o adoecimento e o repouso de 15 dias em casa decorrente de uma forte gripe, sequenciada uma amigdalectomia. Freud como médico preocupou- se com o início da enfermidade, mas seu espírito perspicaz tal de um investigador da mente humana, não ficou retido em seus conhecimentos médicos, e nos tratamentos convenientes a sua profissão. Interpretou que tal origem da gripe poderia ter um significado muito especial relacionado à boca (amigdala). Salientou que a boca teve uma simbolização importante para o despertar da fobia, já que o pequeno paciente frequentemente relatava as seguintes palavras “os CAVALOS BRANCOS mordem. Quando a gente passa os dedos na frente deles, eles mordem”.

O início da aproximação da criança com este específico animal (o cavalo) teve origem nas suas brincadeiras pueris, em que brincava de ser cavalo com outras crianças e com seu pai.

Obranco tornou- se para Freud um símbolo de grande importância para o entendimento do processo traumático do caso, e posteriormente para ajuda no que diz respeito à cura. A interpretação foi de que o branco do cavalo se assemelhava a mesma cor do branco do avental do médico que tratava da constipação intestinal da criança.

Antes disto cabe expor que aos três anos de vida, o garotinho apresentava curiosidade pelos órgãos genitais tanto os seus quanto os de outras pessoas, além da curiosidade sexual pelos órgãos dos animais. Decorrente desta curiosidade pueril, atos de masturbação se tornaram frequentes, sendo estes reprimidos pela educação da mãe. Nestas ocasiões, a genitora ameaçava- o dizendo que se não parasse com tais comportamentos, levaria- o a um médico para cortar- lhe o“pipi”. Perante esta ameaça de castração constante prendia o filho com uma camisola, cujas mangas ao serem atadas impediam a criança de manusear seus órgãos genitais.

A repressão sexual por parte da figura materna era tamanha, que o menino aos três anos e meio apresentou sinais de ansiedade, tais como depressão, crises de angústia, e um medo excessivo em separar-se da mãe.
          Certa vez após uma chamativa da genitora, o garoto teve um sonho naquela noite. Sonho este em que a criança relatara ao pai que fora mordido por um cavalo, revelando características detalhadas de que seu medo não se dava somente ao animal fora de sua casa, mas também esse atacando- o dentro de seu quarto.

Freud observando tais revelações interpreta que o temor da mordida do cavalo, qual a criança se refere, relaciona-se com o medo e a angústia, sendo consequências de seu ato masturbatório ameaçados pela mãe. Após tal interpretação apresentada ao menino, o paciente apresentou uma aparente melhora do quadro.

No desenrolar da averiguação do “Caso Hans” revela- se uma ilustração de que certa vez quando o menino brincava com uma de suas coleguinhas, o pai dela adverte quanto ao perigo em aproximar sua mão à boca do cavalo, sendo enfático: “Não aproximes os dedos ao cavalo porque te morderá” (1909 apud FREUD; ABERASTURY, 1982, p. 27).

Dr. Freud atenta que a fala do genitor de sua colega remete ao menino a mesma repressão que a mãe lhe faz ao proibi-lo de masturbar- se. Tal explica o porquê do signo “cavalo” estar interligado azoofobia de Hans. Digo, pois o valor da advertência do pai da amiga se equivale ao valor da advertência masturbatória da mãe de Hans.

“O material patogênico fica transferido ao complexo do cavalo e transformado uniformemente em angustia todos os afetos concomitantes. O cavalo sempre foi para menino um signo de prazer do movimento, mas como este prazer integra o impulso ao coito, fica restringido pela neurose, que erige também ao cavalo, na própria imagem do medo” (1909 apud FREUD; ABERASTURY, 1982, p. 29)

A Fobia

Sabemos que na fobia os deslocamentos são múltiplos. No caso, Hans transferiu para a figura do cavalo o seu temor pelo animal em adentrar em seu quarto, pois o quarto era o local que o menino masturbava-se.

O que é interessante observar em todo este caso clínico e que saliento em minha prática clínica é que o maior fator efetivo para a cessação dos sintomas é o desejo de cura. A criança ao perceber que relatando seus sentimentos seguidos das interpretações do profissional lhe causam conforto. Em qualquer tratamento, seja médico ou psicológico, o desejo de cura é o que salva o paciente de sua enfermidade.

Vimos na história da Psicanálise e da Psicologia Infantil no geral que durante longo tempo os profissionais acreditaram que a criança por ser um ser não desenvolvido tanto organicamente como psicologicamente comparado ao desenvolvimento de um adulto, não detinha a consciência da enfermidade e a clareza do poder da cura. Hoje sabe- se que a criança se apodera tanto da consciência da patologia quanto da possibilidade da cura. Observo isto constantemente na minha prática clínica com crianças.

Atualmente através da técnica do jogo, é visível que a criança expressa com os brinquedos os mesmo conflitos e os interpretamos do mesmo modo. Ao conscientizarmos da importância do significado latente dos seus jogos, desenhos, sonhos, sonhos diurnos, associações, e a interpretação seriam tão eficaz tal como ocorre no tratamento de adultos. A diferença primordial é que ao substituir a associação livrepela linguagem pré-verbal, constitui e substitui a capacidade da criança de compreender a interpretação, e o poder em estabelecer a transferência com o terapeuta. Seguindo tais preceitos necessários para a análise infantil cumpre-se a eficácia e a possibilidade real no que se refere ao tratamento de crianças similar à existente para a psicoterapia de adultos.

As evoluções das técnicas possibilitam cada dia mais a análise de crianças muito pequenas, podendo ser aplicada a partir de quinze meses de vida. Esta evolução técnica multiplica e expande o sucesso no tratamento de muitos casos psicossomáticos tais como úlcera, colite ulcerosa, asma, eczema e acetonemia, além da profilaxia de enfermidades futuras, mediante a orientação psicológica.

Esta publicação tem grande importância para mim, pois senti a necessidade de expor a vocês que me acompanham o porquê dos cavalos brancos serem símbolos publicitários de minha clínica e de meu trabalho. O cavalo branco para mim representa grande favoritismo ao relembrar esta passagem da obra freudiana relacionada ao primeiro tratamento infantil na história da Psicanálise, cuja abordagem teórica (Psicanálise) me inspira, e cujo público (infantil) começou a minha trajetória enquanto Psicóloga Clínica.

Referência Bibliográfica
· FREUD, Sigmund. Obras Completas de Sigmund Freud Volume X (O “Pequeno Hans” e o “Homem dos ratos”) - ANÁLISE DE UMA FOBIA EM UM MENINO DE CINCO ANOS (1909). Versão em Alemão: “ANALYSE DER PHOBIE EINES FÜNFJÄHRIGEN KNABEN”; Tradução inglesa: “Analysis of a Phobia in a Fiver-Year-Old Boy”.
· ABERASTURY, Arminda. Psicanálise da criança- Teoria e Técnica. Porto Alegre: Artmed, 1982.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A Bela e a Fera sob a perspectiva psicológica da Co- Dependência



Todos nós crescemos com grandes personagens dos contos infantis. Seja qual for a cultura todos eles permeiam nosso desenvolvimento enquanto seres humanos dotados de inteligência. Quem nunca assistiu ou ouviu a estória de uma fera que se apaixona por uma linda donzela?
        
Apanhados do  conto “A Bela e a Fera”
Desde nova Bela passou por grandes decepções na vida, como a morte prematura de sua mãe. Após tal acontecimento foi educada por seu pai e conviveu com ele e suas três irmãs.
No desenrolar do conto percebemos que Bela foi usada para submeter-se ao estilo egoísta e exigente das irmãs. A moça se mostra tão complacente que até mesmo o pai tiraria proveito dela em certas ocasiões, o que fica bastante evidente quando ao roubar uma rosa do jardim da Fera, o pai invés de cumprir alguma “pena” pelo roubo, oferece uma de suas filhas, e no caso, Bela quem se oferece. Rapidamente o pai aceita em vez de entregar- se.
Quando estão em convívio, o relacionamento de Bela com a Fera parece uma “montanha- russa” sendo conflituosa e traumática. Poder-se-ia que ao se mudar para o castelo da Fera, esse começou a oferecer à “esposa” tarefas domésticas sendo grande crítico dos afazeres da moça espezinhando –a, além de a jovem ter de presenciar seus acessos de fúria.
Como ela cresceu tão acostumada a tratamentos tão mesquinhos mantinha- se submissa, onde qualquer comportamento oferecido com o mínimo de carinho possível alegrava- se. Esquecia-se dos comportamentos agressivos e tudo o que ela passou realizando- se com singelas demonstrações de carinho.
Esta é uma das características do que chamamos na Psicologia de Co- Dependência.
Exemplo do quando este quadro é grave ilustramos dentro do conto infantil que quando a Fera permitiu Bela sair do castelo para visitar seu pai adoentado. A sorte da menina foi que quando a Fera permitiu este ato, descobriu que dentro de uma armadura havia também um coração, e soube que poderia doar amor ao invés de “farpas”. Quando a personagem volta ao ccastelo da Fera percebe-o modificado.
Após este momento, Bela de igual para igual com a Fera tornou-se confiante depositada de uma auto- estima cada vez maior sendo assim assertiva.
Mas observo que este pensamento e atitudes que Bela identifica no marido, a Fera, já era de se esperar, pois na situação de Co- dependente, qualquer atitude de amor é de grande valia colocando qualquer pessoa (que não seja ela, em primeiro lugar). Suma é a importância que tem as pessoas na vida dela.
A linda moça ao receber a visita das irmãs no castelo que vivia fica dividida entre a presença delas e o desamor da Fera para com as hóspedes. Com esta indecisão, a moça sente-se ansiosa e deprimida, pois vê na realidade que não poderá sempre agradar a todos.
Analisando de maneira atenta, constamos que as necessidades de Bela não foram atendidas em nenhum de seus relacionamentos significativos. O grau de responsabilidade que sentia em relação ao pai, e agora em relação ao marido é pouco saudável, mas ela parece estar emocionalmente paralisada, incapaz de mudar o seu comportamento.

A Co- dependência
Os Co- dependentes quase sempre são criados em famílias disfuncionais, onde absorvem métodos desaptativos de enfrentamento, que depois se transformam em padrões de relacionamento em sua vida adulta.
Apesar de colocar as necessidades dos outros antes das suas, estas pessoas confundem costumeiramente a vigilância compulsiva com compaixão. Constantemente estabelecem relacionamentos com viciados ou pessoas de alguma maneira desajustados e ficam tentando “consertar” o companheiro.
Os Co- dependentes são conhecidos como facilitadores porque eles podem facilitar um parceiro alcoólatra a continuar bebendo. E ironicamente, pode acontecer, no momento em que o parceiro “desajustado” abandonar seu comportamento disfuncional, o co- dependente ache difícil administrar a própria vida, tal é o seu empenho em viver a vida do outro. Com a grande doação de si e a dedicação depositada em alguém esquecem- se da própria vida.
Os co- dependentes confundem pena com amor e por isso mantém relacionamentos abusivos, já que temem que o parceiro não vá o sobreviver sem eles. Em sua cabeça interpretam o cuidado dado como atos generosos. Sua dedicação é tamanha que comprometem as próprias necessidades, sentimentos, e integridade para evitar a raiva ou a rejeição, deixando que o outro faça dele o que quiser. Um sentimento de controle surge em cena fazendo com que o co- dependente usa a vigilância afim de controlar seus parceiros.
O co- dependente normalmente alimenta a crença que se “consertar” a pessoa estimada, esse ficará dominado pelo amor e pela gratidão e que agindo assim o parceiro nunca irá abandoná- lo.
O abandono é maior medo da maioria dos co- dependentes. Preferem manter um relacionamento patológico a arriscar-se mesmo que o afastamento do parceiro resultasse em uma estabilidade emocional maior em longo prazo.

O tratamento
A Co- dependência  é um comportamento adquirido/  aprendido. Na maioria dos casos para o indivíduo recuperar-se faz- se necessário romper o relacionamento patológico para curar-se.
No caso de Bela, se aceitar a proposta de um tratamento seria prudente que vivesse temporariamente afastada da Fera internando-se em um centro de tratamento, ou se não, seguir os passos do Co- dependentes Anônimos participando de alguns encontros.
É na infância que o comportamento co- dependente é desenvolvido, onde estes indivíduos apresentam um alto nível de tolerância a comportamentos patológicos, agressivos e inapropriados. Pessoas que cresceram com a desorganização ou maus-tratos em suas famílias sentem-se familiarizados com estes tipos de “maus-tratos” a si, fazendo com que na “adultice” percebam relacionamentos saudáveis como aversivos à sua criação, à sua natureza, enfim e ao seu mundo.
Dificilmente buscam tratamento, pois para eles tais círculos e padrões de relacionamento aparentam normais para ele.
Caso desejem o tratamento correto e recebam o apoio adequado é possível que os co-dependentes desenvolvam relacionamentos saudáveis e parcerias que lhe causem prazer, e não submissão.
Abaixo são descritos sinais costumeiros vistos em Co- dependetes. Verifique se você ou alguém próximo se enquadra:
  • Considerar-se e sentir-se responsável por outra(s) pessoas(s) – pelos sentimentos, pensamentos, ações, escolhas, desejos, necessidades, bem-estar, falta de bem-estar e até pelo destino dessa(s) pessoa(s).
  • Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
  • Sentir-se compelido – quase forçado – a ajudar aquela pessoa a resolver o problema, seja dando conselhos que não foram pedidos, oferecendo uma série de sugestões ou equilibrando emoções.
  • Ter raiva quando sua ajuda não é eficiente.
  • Comprometer-se demais.
  • Culpar outras pessoas pela situação em que ele mesmo está.
  • Dizer que outras pessoas fazem com que se sinta da maneira que se sente.
  • Achar que a outra pessoa o está levando à loucura.
  • Sentir raiva, sentir- se vítima, achar que está sendo usado e que não senta sendo apreciado.
  • Achar que não é bom o bastante.
  • Contentar-se apenas em ser necessário a outros.
A busca pela ajuda psicológica é um caminho e o primeiro passo para o desenvolvimento pessoal. Dificilmente um co- dependente conseguirá cessar os sintomas sem uma ajuda.
Os efeitos dos comportamentos de co- dependência são danosos, e ainda mais o sofrimento que a pessoa dependente sofre. É necessária uma busca por si e adentrar na profundidade dos sentimentos para depois ter as rédeas das situações. O co- dependente que não busca ajuda continuará a cometer os mesmo erros trazendo para o seu viver grande empobrecimento existencial.

Sugestão para leitura:  "Co-dependência nunca mais" de Melody Beattie.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Entendo a Psicossomática




       Nos dias atuais tem se percebido cada fez mais o uso do termo Psicossomática ou doença psicossomática tanto por áreas da Psicologia quanto demais áreas da saúde como a Enfermagem e a Medicina.
Gosto de utilizar exemplos claros e uma terminologia mais acessível a todos, pois compreendo que alguns conceitos não são bem explanados e talvez não ocorra o entendimento a quem não pertence ao ramo da Psicologia. O meu foco desde minha formação é acessibilizar a Psicologia a todos, trabalhando não para meu colegas, mas sim para as todas as pessoas que buscam o entendimento da Psicologia ou ajuda através dela e de mim.
Vamos analisar juntos a palavra “psicossomática”. Psico vem de psique = mente, soma provém do grego significando corpo. Se analisarmos por outro entendimento do signo soma ou somática poderemos entender a somatização. E somatização o que remete a você? SOMA! Logo a Psicossomatização é a soma de materiais internos não trabalhados que não encontram uma maneira clara de mostrar a pessoa que algo dentro da mente dela está errado. Então, ao invés de mandar uma mensagem mental, manda pela via física atentando “você não está bem, será preciso ser reavaliada certas coisas”.
Que coisas são essas? Explicitarei após um exemplo.
Márcia encontrava-se em um emprego que lhe causava muito estresse e frustração Estresse porque era muito cobrada, frustração porque não era o emprego de seus sonhos. Não podendo sair deste trabalho começou a sentir fortes cólicas pré período menstrual, tão fortes que ia em um hospital e os médicos prescreviam medicação intravenosa. E mesmo assim com nenhum desses remédios as fortes cólicas não passavam. Foi feito um “inquérito” para descoberta da causa. Foi então dada uma hipótese diagnosticada Endometriose. Variados exames foram feitos e nada constava de malefício. Após alguns meses sem poder trabalhar, já que por vários atestados, decidiu pedir demissão, antes que fosse demitida por tanta ausência via atestados médicos. Após um mês da saída do emprego e pensando em uma recolocação profissional, as fortes cólicas sumiram como num passe de mágica.
Esta é a psicossomatização. O que a nossa mente não consegue trabalhar, o nosso corpo sente e paga!
Quem não vivenciou uma somatização, com certeza já pode ter ouvido algum conhecido falar “sinto um mau tal, vou a um médico, faço exames, mas ‘nada consta’” não é mesmo? Trilhando essa linha de raciocínio é mais fácil de entender as psicossomatizações.
As doenças psicossomáticas são provenientes de um conflito emocional passado para o corpo. São doenças relacionadas à psique e não ao corpo, que dentro de um exame não aparece, somente sentindo em seu corpo os sinais de alguma doença que parece ser física/ orgânica/ biológica.
Muitos casos são vistos comumente tais como Alopécia, Endometriose, gastrite, rinite, entre outros males.
Nem sempre os sintomas são mascarados, e eles realmente se mostram fisicamente, mas sem motivo da causa.
Dependendo do caso, os sintomas podem ser cessados ou diminuídos com uma intervenção medicamentosa, mas logo eles voltam, e novamente os médicos tentam ajudar o paciente de todas as formas.


Uma doença psicossomática não é equivalente da pessoa “reclamar” sem sentido, o indivíduo realmente sofre, e também não significa que a doença não existe. Muito pelo contrário, ela existe sim, mas a causa não é física, mas sim emocional, uma doença do espírito.
De caso para caso alguns sintomas são evidentes no corpo, outros não, mas todos com um grau de sofrimento tal para o sujeito.
Médicos mais atentos a tais acontecimentos encaminham para um especialista como um Psicólogo. O que vemos cada vez mais ocorrer é a prática multidisciplinar, onde Medicina, Psicologia e tantas outras áreas da saúde trabalham em conjunto em favor única e exclusivamente do bem estar da pessoa.
Dica: se você apresenta algum sintoma que não possui caracterização de doença física adentre para os motivos possíveis das enfermidades que você possa vir apresentando. Se coloque na posição de analista: interprete o que tem. Tente buscar no fundo de sua alma o que vem lhe causando conflito, sofrimento, angústia e desprazer. Entenda a si! Lembre-se você sempre foi e sempre será o seu maior e melhor amigo.

Felicidade a todos!

Post dedicado a Simone