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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Batman: O anjo de asas negras





A estória do personagem Batman há tempos vem me contagiando em escrever a respeito.
Começou este meu interesse a partir do contato que tive com um dos meus primeiros pacientes que acreditava puramente sê-lo em certa etapa do seu desenvolvimento.
A partir disso ao concluir o processo de análise presenteei- o com uma devolutiva baseada neste filme. Para criar tal devolutiva tive de fazer uma busca apurada para entender o lado psicológico deste grande personagem que permeia entre várias gerações atingindo com sua incrível força o poder de atenção.
Nessa minha busca incessante lembro que tive como fonte para entender toda problemática do enredo de Batman o artigo “A jornada do herói na trajetória de Batman - Hero journey in Batman trajectory” de Luísa de Oliveira, que farei referências neste presente escrito.
Sempre que vejo Batman, lembro que este herói traz  uma grande inspiração do que chama- se na Psicologia de Resiliência.
O conceito de resiliência fica bem explicitado quando falamos sobre superação:
 “A resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico. No entanto, Job (2003), que estudou a resiliência em organizações, argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades.”(Wikipedi a partir de Job, FPP)
Para quem não conhece muito a estória e seus ínterins, Bruce (nome verdadeiro do codinome Batman) quando pequeno caiu em um buraco que estava povoado por morcegos. Apesar de gritar pedindo socorro, só foram descobrir que o garoto encontrava-se neste lugar, no dia seguinte.
Quando saiu de lá, seu pai o abraça e consola dizendo que os morcegos não fazem mal se não fizer a eles também.
Mesmo tendo ainda certo receio (com morcegos), quando adulto recorda-se do acontecido e faz do seu medo seu grande instrumento de redescoberta.
A história de Batman sofre modificações ao longo de suas passagens. Como que em meados de 1939- 1960 são revelados ao público a morte dos pais do pequeno Bruce, com então 10 anos de vida.
Wayne refugia-se a em uma caverna a fim de repensar sobre si e sobre os valores expostos a esta realidade cruel que lhe é mostrada. Suas referências familiares já não se encontram presentes, apenas em memória.
Esta morte trágica faz nascer no menino um grande sentimento de justiça, após todo o processo de luto.
Dentro do artigo já exposto acima, o simbolismo da caverna que o menino morcego esconde- se é revelada como uma analogia ao ventre da baleia, que em alguns mitos mostra- se como sendo signo de renascimento e iniciação. Tal por ser uma área então desconhecida, sombria, onde percorre o mistério.
A entrada na caverna pode ser analisada de maneira que pode ser um caminho para dentro, um modo e um momento de introspecção com o intuito de retornar às origens e ao centro do que lhe causa certo significado, ou se não, a busca por eles (significados).
Quando Bruce após um tempo recoberto de valores de justiça e apaziguado de certa maneira do sofrimento, vê uma possibilidade ao sair desta caverna com todas possíveis significações, em um momento de regeneração e um novo nascimento.
Ao sair da caverna sente- se regenerado e pronto para uma nova etapa de sua vida.
Busca então outro símbolo desta mudança, vindo com o intuito de vingar-se do passado que não foi bom, mas com outra identidade. Pensa então em uma máscara, algo que não o nomeie como Bruce Wayne.
Em certa cena da estória, o rapaz está em sua sala quando adentra um morcego que o faz recordar do seu antigo medo pueril. Logo encontra um símbolo perfeito do seu “novo eu”: ser o Homem Morcego.
Há dentro da Psicologia Analítica e em outras áreas que se interessam em estudar os simbolismos que a caverna representa, tal como uma gruta, além da representação do mamífero morcego retrata que tais significam sobre aqueles que vivem na escuridão, locais os que desejam refugiar- se do mundo diurno.
O morcego dependurado de cabeça para baixo representa também uma criatura de um mundo que funciona às avessas do nosso. Um marginal da sociedade, alguém que não vive de cabeça em pé e que prefere as trevas e a escuridão ao invés da luz.
Conta o artigo de Luísa de Oliveira que na Idade Média, as asas de morcego simbolizavam o demônio fazendo um contraste com as já conhecidas asas dos anjos. Logo Batman seria visto por este ponto de vista: um demônio do bem ou da escuridão, e os símbolos que Bruce busca para seu alterego sejam remetidos aos significados dos seus traumas e temores do passado.
Um dos itens mais interessantes da trilogia Batman é que o personagem consegue ao mesmo tempo vingar-se de seu passado e aliar um carisma com a população de Gotham City. Ele permeia tanto o universo dos bandidos quanto os da população daquela cidade. Sendo de valiosa ajuda para a paz da cidade contra a violência urbana.
Mesmo após ter saído da caverna, seja com todos os seus símbolos e sua forma literal, o homem morcego por vezes relembra o trauma que sofreu e o quanto este é recorrente em sua vida. Toda vez lembrada do motivo por sua modificação, isto faz com que um sentimento imenso de justiça.
A cada batalha vencida, o homem resgata aquele garotinho indefeso que foi abandonado pelo destino quando seus pais faleceram.
Suas atividades justiceiras que o faz um super- herói decorre do momento vivenciado pelas perdas.
O mais interessante a observar é que Batman reconhece sua parte humanamente frágil, apesar de ser considerado um super- herói.
Torna-se bem explícito na estória divulgada entre 1970 e 1980 a aproximação de Batman com a mulher gato.
Segundo algumas possibilidades dentro de toda estória de Batman, a Mulher gato teria após o suicídio de sua mãe ter vivido em um orfanato. A rebeldia ao seu destino fez com que aos 13 anos fugisse da instituição e é neste momento que ao adentrar a perigosa estadia nas ruas aprende “o ofício” de ladra.
O gato por si só já se faz signo de profunda ambivalência: o bem e o mal unidos em um só animal. No Egito Antigo, este animal era venerado como a deusa Bastet simbolizava a proteção ao homem. Ligada às artes, era também requisitada em assuntos como gravidez, amor, alegria e o prazer pela vida. Certo tempo depois na história os gatos mudaram de significação remetendo então a poderes demoníacos e ao feminino. Tal atribuição foi introduzida pela crença de que algumas bruxas na idade média usavam os corpos de gatos para introduzir suas almas, em especial os gatos negros. Desde então os gatos vem sendo ligado ao símbolo do feminino instintivo e destrutivo.
Como já falado, os gatos estão relacionados a símbolos ambivalentes. Acreditam- se que este seria um mediador entre o bem e o mal, e um canal entre as esferas humanas e divinas. Por tal o gato foi visto com signo da consciência por ter essa capacidade de mesclar valores de conflito.
Explico tal, pois em certo curso da trilogia Batman, a Mulher Gato torna-se seu grande amor pela explicação simbólica talvez de que o gato e o morcego se unem.
Vejo que a paixão que o homem morcego guarda pela mulher gato seria um encontro às suas origens maléficas e seu lado da não justiça, costumeiro de um ser humano (tentar equilibrar-se entre o bem e o mal).
Em 1990- 2000 o Coringa ganha destaque na trama. Este representa o oposto do homem morcego, sendo ele escancarado, impulsivo, desorganizado e musical, o que difere do primeiro sendo ele racional, controlado e não barulhento.
Na visão do tarô, Coringa seria encarado como a carta do Louco. Louco e fora do jogo, já que esta representa a marginalização, pois o louco não obedece as regras sociais.
Coringa tem uma função importantíssima de dissipação da figura do Batman, já que o segundo faz uso da tentativa de equilíbrio enquanto Coringa faz da vida um eterno descontrole.
Além de coringa, outros personagens desta trama trazem símbolos interessantes de análise, tal como o mordomo Alfred que tem a função dentro da estória de cuidar das feridas de Batman e fazer relembrá-lo de sua natureza cheia de limitações puramente humanas.
O comissário Gordon faz de Batman obter informações de possíveis maneiras de ajudar a sociedade, é nele que deposita suas informações.
Outro personagem que Batman retribui grande amizade é Robin que encara como sendo um dos seus, podendo ser comparado pelo passado parecido de Bruce: tornou-se discípulo de Batman após a morte de seus pais que foram assassinados por Duas Caras.
O que viso explicitar aqui é que se analisarmos do ponto de vista da resiliência, da superação, vemos que a trilogia Batman não se enquadra somente em um filme de aventuras para a diversão do público em geral, mas sim resgatar dentro de símbolos básicos a resiliência, o poder de superação dos medos e a transformação de traumas em atitudes benéficas ao outro.  
Ao invés do ressentimento percebemos nos personagens que há diversas maneiras de lidar com as circuntâncias que a vida nos impõe seja para o bem (Batman, Robin) seja para o mal (Coringa, Mulher gato).
Fica a dica de hoje de como saber lidar com as questões que a vida nos oferece! Observar e entender que por mais que não sejamos livres em escolhermos certos acontecimentos da vida, o poder de como nos situamos frente a estas questões. Com isso é o que nos faz melhores ou piores.
Decidir como nos sentimos e reagirmos de maneira que os traumas do passado não interfiram no bem que possamos fazer para o mundo.
Somos gotas, mas é de gota em gota que o mar se torna grandioso!


 “Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor.” (Madre Teresa de Calcutá)


Referências:

- Site Google

-  Bol. psicol v.57 n.127 São Paulo dez. 2007 A jornada do herói na trajetória de Batman Hero journey in Batman trajectory Luísa de Oliveira* Núcleo de Estudos Junguianos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Nova vida



Natal: Um momento doce e cheio de significado para as nossas vidas.
É tempo de repensar valores, de ponderar sobre a vida e tudo que a cerca.
É momento de deixar nascer essa criança pura, inocente e cheia de esperança que mora dentro de nossos corações.

Que neste Natal você e sua família sintam mais forte ainda o significado da palavra amor, que traga raios de luz que iluminem o seu caminho e transformem o seu coração a cada dia, fazendo que você viva sempre com muita felicidade. 

Também é tempo de refazer planos, reconsiderar os equívocos e retomar o caminho para uma vida cada vez mais feliz.
 
Teremos outras 365 novas oportunidades de dizer à vida, que de fato queremos ser plenamente felizes. 

Que queremos viver cada dia, cada hora e cada minuto em sua plenitude, como se fosse o último.

Que queremos renovação e buscaremos os grandes milagres da vida a cada instante.

Todo Ano Novo é hora de renascer, de florescer, de viver de novo.
Aproveite este ano que está chegando para realizar todos os seus sonhos!  

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS! 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sobre a Histeria: Identificando um histérico e a face obscura de Don Juan


    Este artigo tem como intuito informar a respeito deste transtorno que segundo meus leitores do blog mantém grande interesse por estas informações, e solicitaram que eu abordasse este tema, a fim de saber identificar características e como se dá a histeria. Além disso, alguns colegas de profissão vêm percebendo uma exigência maior no diagnóstico de pessoas que apresentem as características que possam definir tal transtorno mental, tal o número grandioso/ incidência em suas clínicas.
     Podemos abordar este tema através de duas vertentes: uma segundo a explicação da Psicanálise, a outra segundo uma visão mais técnica sendo baseada pelos manuais DSM-4 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM IV) e o CID-10.
     Segundo a Psicanálise, a Histeria é vista como uma das três estruturas clínicas. Estas estruturas são: Neurose, Psicose, Perversão.
      Tentando adequar a um possível entendimento popular, uma maneira mais fácil para explicar o que são estruturas clínicas dentro da Psicanálise, podemos “comparar” como alguns tipos de Personalidade.
      Estas dentro do saber freudiano, não se poderá falar que são personalidades, mas algo mais complexo: são características, maneiras de se comportar/ portar/ mostrar- se no mundo.
      Dentro na Neurose são feitas duas ramificações: Neurose Obsessiva e Neurose Histérica.
      Falando de Psicopatologia, ou seja, a ciência que estuda as doenças mentais, pode-se dizer que existem diversos graus dentro dos quadros clínicos, seja qual transtorno for.
      Uma pessoa histérica pode ser alguém que apresente traços histéricos de personalidade e não ser patológica, ou uma pessoa que apresente tais traços mais exacerbados sendo diagnosticadas como doença enquadrando-se em um transtorno mental.
       A partir de uma visão psicoanalítica, o histérico se comunica com o mundo de maneira patológica a partir da repressão sexual. Logo a partir desta teoria pensamos então na possibilidade da origem de tal patologia ser proveniente do meio social, mas segundo a psiquiatria e a Psicologia biológica não se pode descartar a probabilidade genética.
     O histérico vê sua potência pulsional exacerbada, em especial no que se refere a comportamentos sexuais. O desejo do histérico é quase que comparado ao sem limite. O sujeito sente que sua única fonte de prazer é o sexo; que não necessariamente tenha a ver com o ato sexual em si, mas sim a sedução, o desejo de mostrar sua força através do flerte.
     Cito aqui audaciosamente o Filme Don Juan. O que percebemos nele? 
    O personagem não necessariamente apresenta compulsão sexual, mas sim uma compulsão da sedução, uma repetição ao seduzir. O que interessa a ele não é fazer sexo, mas sim coagir as mulheres com seus diversos truques e táticas a fim de que elas se rendam a ele.
     Deixo explicitado que ser um Don Juan não é “algo legal”, “bacana”, já que traz grande sofrimento quando o ser se depara com o vazio interno de nada mais ter do que o próprio desejo descontrolado de ser sexual.
     A natureza humana é composta, segundo Freud, pela Pulsão de Morte e Pulsão de Vida. A primeira trata-se da compulsão à repetição, algo comparado a aniquilar-se a si mesmo e a tudo. Já a pulsão de vida busca o prazer. 
    O desejo é concebido da união dos dois: não existe Vida sem Morte perante a teoria freudiana.
     A histeria apresenta características fortes com relação ao corpo do sujeito. A pessoa que SOFRE deste tipo de transtorno ou que apresenta uma estrutura clínica histérica vê o mundo de maneira sexualmente exacerbada e que seu quase que único “dom” é ser desejado.
      Ele enxerga o mundo e as pessoas de maneira deturbada, como se todos ao seu redor o visem como irresistíveis sexualmente e que são atraídos por este. Como bem exponho e friso, esta é uma visão distorcida da realidade.
      Podem até mesmo induzir ou tentar seduzir, conquistar todos à sua volta como explicita Bergeret (2006): mantém uma “percepção vertiginosa de seu limite extremo, o desejo de desejo insatisfeito, a sua incorporação maior, a saber, a fantasia incestuosa. É nesse sentido que, com a histeria toda pulsão irá se tornar incestuosa”.
     Em certo período da história da Psicoanálise, a histeria foi vista como uma maneira de lidar com a realidade não lírica, florida, em que o sujeito tenta fugir para um mundo de desejos desmedidos, para o seu próprio mundo.
    Segundo alguns estudiosos, a histeria é uma forma de lidar com o mundo ao passo que fugir da realidade, da problemática da vida comum a todos e das obrigações que o mundo oferece seria o melhor beneficio. Freud vê a histérica como “aquela cujas fantasias não lhe permitiram entre ser menino ou ser menina. Elas querem, mas não conseguiram assumir as responsabilidades desse querer”.
     O sujeito histérico foi visto como um ser passivo em muitos casos. Hoje estudos mais recentes indicam o contrário: muitos usam de sensualidade para adquirir benefícios em favor de conseguir atenção exclusiva, ou seja, atenção voltada a eles.
     Outra característica para reconhecer um histérico é a sua dramatização. O histérico na verdade se assemelha e muito com um ator. Diz-se vítima da vida, das pessoas e do mundo no geral. Eles lidam com as pessoas como se fossem atores e demonstram grande carência afetiva.
     Estas características são resaltadas no Transtorno de Personalidade Histriônica: manifestam atitudes de pessoas que desejam atenção a todo o momento sejam através de risos altos, roupas ousadas (como roupas transparentes, decotes e saias curtas).
    São pessoas complicadas de lidar e que merecem atenção psicológica, e na maior parte das vezes psiquiátrica havendo uma intervenção medicamentosa. Parentes e amigos são aconselhados a passarem também por processo terapêutico, já que tem de mudar certos hábitos e comportamentos para lidar com este transtorno complexo.

O Transtorno de Personalidade Histriônica
     A Personalidade histriônica é um quadro em que pessoas com características histéricas se enquadram, só que de forma exacerbada, portanto enquadra-se não somente como uma característica de personalidade, mas sim um desajuste de personalidade, por isso o nome transtorno.
     Dentro do CID-10 ela é encontrada sob a numeração F60.4.
    Segundo os manuais de desordens mentais, este transtorno é apresentado em indivíduos que possuem um padrão emocionalmente instável, sendo a emocionalidade excessiva; apresenta uma necessidade absurda de chamar atenção para si mesmo.
    Saliento que dentro desta característica de “chamar a atenção”, vê-se uma procura de aprovação.
    É interessante ressaltar que este quadro apresenta características fiéis de uma estrutura clinica histérica, já que a sexualidade exacerbada está evidente nestas pessoas. Elas atribuem o poder sexual como fonte de prazer e muitas das vezes mostram-se extremamente inapropriados por esta vontade de seduzir as pessoas, chegando a aparentar certa inadequação social tamanha é o exagero nessa sexualização de si, pois são inapropriados sexualmente.
     Como vemos isso? Exemplo: em um lugar que está disponível o aprendizado como uma faculdade, eles apresentam sexualidade inadequada, de forma exacerbada, exagerada e que não convém com o meio em que estão.
     Fundamental para identificar um histriônico ou uma histriônica é a DRAMATIZAÇÃO. Estes indivíduos veem o mundo como um grande palco para apresentar-se e amam os aplausos.
     São confundidos ou até mesmo permeiam bem o meio artístico, já que este é propício a tais atitudes desmedidas. Poetas, atores e cantores permeiam com suas doenças sem nem ao menos serem diagnosticados na maior parte, pois há um imaginário social de que os artistas podem permitir-se exagerar.
     O convívio com estas pessoas podem acarretar certos transtornos tais como termino de relacionamentos regatos a dramatizações e ameaças de suicídio.
   Apesar de parecerem sempre animados e exaltados, alternam os estados entre o entusiasmo e o pessimismo.
   Mas veja bem, não poderá este quadro de um transtorno de personalidade ser configurado ou comparado a um transtorno de humor, já que no caso dos transtornos de humor, este é instável (o humor é instável), já os de personalidade são estados instáveis, ou melhor, dizendo a maneira como se veem e se mostram no mundo são instáveis, mas nada tem a ver com o humor, já que a percepção do mundo que muda não o humor. A personalidade aqui que está em questão, ela muda, na o humor somente.
     O histriônico apresenta egocentrismo. A maneira como lida com o outro se assemelha com exaurir forças de outrem para lidar com este anseio de aplausos. Usa o outro para contentar- lhe esta sede de reconhecimento. Apresenta uma desorganização egóica, auto- indulgência, anseio por admiração e comportamento persistente e manipulativo afim de obter tais necessidades acima descritas.

O Filme “Don Juan” como ilustração de uma possível Personalidade Histriônica
    Logo no começo desta matéria citei como exemplo o Don Juan. Em várias passagens do filme vemos esta sexualidade inapropriada, bem como a cena em ele chega fantasiado (a vestimenta já é um demonstrativo de inadequação social característica deste transtorno, já que tal é inadequada para a ocasião- naquele momento que não tratava-se de um baile à fantasia), e seduz uma mulher que encontra-se sentada sozinha.
    Em outro momento do filme após o rompimento com a amada Dona Ana, ele tenta suicídio, mas observe que de verdade ele não tenta, ele ousa chamar atenção, pois o local escolhido foi público e em um lugar alto, fazendo com que as pessoas que estavam ali naquele momento voltassem sua atenção a ele.
    Vemos nisto outra característica comum do histriônico: dramatização.
     Quando adentra no hospital psiquiátrico, seduz as enfermeiras, bem como o psicólogo em crer que o que ele fala é verdade, e que sua real identidade é o Don Juan De Marco e não outro sujeito.

Identificando um Histriônico

     O diagnóstico deve se basear no cuidado, exatamente pela dificuldade em perceber quando a pessoa possui um transtorno ou não, já que a maioria dos transtornos de personalidade não são muito vistos com transtornos, pois são mascarados pelas atitudes normais de qualquer um de nós. Eles percorrem os meios profissionais, conseguem conviver normalmente.
     Bem como o transtorno de personalidade anti- social estes indivíduos são extremamente sedutores no que se refere à sedução social, não só quanto a pares românticos, mas também amizade e colegas de trabalho. Conseguem afeto e admiração do outro por seu jeito divertido e sagaz. Apresentam dotes sociais, normalmente são apoderados de inteligência e sabedor de conhecimentos gerais como ninguém; além de manter um bom papo, e sua presença ser até divertida.
    Isso se transforma um pouco quando este sujeito percebe que não consegue ser nem sempre o sempre das atenções, então entra em cena o pessimismo e o desânimo. Além disso, quando se veem “apagados” perto de outra pessoa (ou outras pessoas) podem destruir relacionamentos sociais, profissionais e amorosos. Não sabem lidar com a frustração, perdas e fracassos.
     Mas veja bem, uma coisa é você ser alguém que atrai admiração pela personalidade admirável, outra, são certas características serem exacerbadas. Por isso é tão difícil a identificação em certos casos.

Como Identificar
    Para identificar se você conhece alguém assim percba certos sintomais essenciais dete tipo de transtorno: (em negrito estão os comportamentos mais visíveis)
1.    Comportamento exibicionista;
2.    Busca constante por apoio ou aprovação;
3.    Dramatização excessiva com demonstrações exageradas de emoção, tais como abraçar alguém que acabou de conhecer ou chorar incontrolavelmente durante um filme ou música triste;
4.    Sensibilidade excessiva frente a críticas ou desaprovações;
5.    Orgulho da própria personalidade, relutância em mudar e qualquer tentativa de mudança é vista como ameaça;
6.    Aparência ou comportamento inapropriadamente sedutor;
7.    Sintomas somatoformes, e utilização destes sintomas como meio de chamar atenção;
8.    Necessidade de ser o centro das atenções;
9.    Baixa tolerância à frustração ou à demora por gratificação;
10.    Angústia provocada pela alternância de crença nas próprias mentiras insustentáveis (mitomania);
11.    Rápida variação de estados emocionais, que podem parecer superficiais ou exagerados a outrem;
12.    Tendência em acreditar que relacionamentos são mais íntimos do que na realidade o são;
13.    Decisões precipitadas.

    Dentro do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - 4ª edição) a Personalidade Histrionica é conceituada a sintomatizada desda maneira: (em negrito estão os principais sintomas).
     Um padrão predominante de emocionalidade em excesso e procura por atenção, a partir do começo da idade adulta e presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:
1.    Sente-se desconfortável em situações no qual ele ou ela não é o centro das atenções;
2.    Interação com outrem é frequentemente caracterizada por comportamento inapropriadamente sedutor ou provocativo;
3.    Demonstra mudanças rápidas e superficiais de emoções e avaliações sobre outrem, principalmente seus críticos;
4.    Busca de parceiros simultâneos;
5.    Utiliza consistentemente a aparência física e vestimenta (elegante ou ousada), para chamar atenção para si;
6.    Tem um estilo de discurso excessivamente impressionável e deficiente em detalhes;
7.    Demonstra dramatização, teatralidade, e expressão exagerada de emoções;
8.    É sugestionável, isto é, facilmente influenciável por outrem ou circunstâncias;
9.    Considera os relacionamentos mais íntimos do que realmente o são;
10.    Desprezo por diagnósticos e teimosia em julgar-se pessoa sã;
11.    Dificuldade de concentração e na leitura de textos longos, tendendo à supeficialidade intelectual.

Agora, verificamos o que o CID-10 expõe: ( há que se haver o mínimo de três características desta listagema seguir – novamente em negrito grifo os sintomas essenciais):
1.    Dramatização, teatralidade, e expressão exagerada de emoções;
2.    Sugestionabilidade, facilmente influenciável por outrem ou ambientes;
3.    Afetividade superficial e instável;
4.    Busca contínua por excitação e atividades onde o paciente é o centro das atenções;
5.    Sedução inapropriada em aparência ou comportamento;
6.    Busca de parceiros simultâneos;
7.    Desprezo por diagnósticos, críticas e sugestões que não coincidam com seu comportamento;
8.    Preocupação excessiva com aparência física, vestimenta e acesssórios.
9.    Em casos extremos, pode insinuar-se para depois ser receptiva ao assédio do sexo oposto, mesmo que de pessoas com pouca ou nenhuma intimidade;
10.    Inconformismo com o fim de relacionamentos, seguido de TOC -Transtorno Obsessivo Compulsivo com prevalência à obsessão pelo Déjà-vu na busca de reeditar relacionamentos que já não existem mais.

    Faz-se necessário um estudo aprofundando e saliento a importância da prudência no diagnóstico seja em qual tipo de transtorno for.
    Esta matéria expõe informações a respeito de um transtorno sério e que merece ser tratado com respeito.
   Se você conhece alguém com certas características tais as apresentadas aqui, procure um profissional sério.

Sugestões para leitura: 

BERGET, Jean. Psicopatologia Teoria e Clínica. Porto Alegre: Artmed, 2006.

Organização Mundial de Saúde. Classificação Estatística Internacional de Doenças - CID-10 - Edição    10.     Editora: EDUSP, 2007.

Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM IV)

 KAPLAN & SADOCK. Compêndio de psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2007.

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais- 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2008.

CUNHA, Jurema e colaboradores. Psicodiagnóstico V- Revista e Ampliada 5ª Edição. Porto Alegre: Artmed.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Feliz Natal!

Olá queridos pacientes, parceiros e amigos! 

         Vem chegando as comemorações de final de ano e como vocês bem sabem ficamos numa correria só, não é mesmo?! 
    Para a preparação das festas e para tudo ocorra maravilhosamente bem gastamos um bom tempo com diversos detalhes para homenagear a todos que gostamos e celebrar datas tão especiais e importantes que fazem parte dos nossos rituais ocidentais.
            Fiquei temerosa em não "dar conta" de expor os meus votos de Prosperidade e Riqueza, Alegria, Sucesso, Paz, Amor, enfim o melhor para todos que desejo do fundo do meu coração e por quem tenho grande apreço!
        Decidi então desejar antecipadamente tudo isso que expus acima, a vocês. 
           Meu caros, fiz um filme especial com muito carinho para que vocês possam apreciar. Ele encontra-se neste link do You tube: 



Desejo enormemente um maravilhoso Natal e Boas festas!!!

Com grande carinho, Raquel.
  

Mensagem: "Que neste Natal..."
 
 
 Que neste Natal,
eu possa lembrar dos que vivem em guerra,
e fazer por eles uma prece de paz.


 



Que eu possa lembrar dos que odeiam,
e fazer por eles uma prece de amor.


Que eu possa perdoar a todos que me magoaram,
e fazer por eles uma prece de perdão.


Que eu lembre dos desesperados,
e faça por eles uma prece de esperança.

Que eu esqueça as tristezas do ano que termina,
e faça uma prece de alegria.



Que eu possa acreditar que o mundo ainda pode ser melhor,
e faça por ele uma prece de fé.

 




Obrigada Senhor
Por ter alimento,
quando tantos passam o ano com fome.



Por ter saúde,
quando tantos sofrem neste momento.




 

Por ter um lar,
quando tantos dormem nas ruas.


Por ser feliz,
quando tantos choram na solidão.


Por ter amor,
quantos tantos vivem no ódio.


Pela minha paz,
quando tantos vivem o horror da guerra.

  
(autor desconhecido)


                  A você e seus familiares desejo Boas Festas!

                                
                        São os votos de Raquel Freire do Amaral