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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cartilha do Projeto contra a Pedofilia




INTRODUÇÃO

Esta cartilha tem por objetivo trazer ao contexto da cidade de Vassouras e ao seu entorno a problemática da pedofilia, que ronda as instituições da cidade, mas que não é denunciada ou identificada pela maioria das pessoas. Através do projeto de pesquisa, intitulado “Pedofilia: Em Defesa De Um Corpo Em Desenvolvimento”, desenvolvido pela Universidade Severino Sombra, busca-se difundir informações e esclarecimentos à sociedade, para que cada indivíduo se torne um multiplicador das informações aqui constantes. É um dever de todos, da família, da escola, do Estado assegurar à criança e ao adolescente com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (art 227, Constituição Federal, 1988). Portanto, a presente cartilha vem propor um esclarecimento dessa problemática, a fim de mobilizar a sociedade para a questão da pedofilia que, muitas vezes, ocorre de forma silenciosa, dentro dos lares, das escolas, das igrejas e demais instituições sociais.

O QUE É PEDOFILIA ?

Segundo a classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID-10, 2007: F65.4) Pedofilia é a preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas, ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes ou no inicio da puberdade (pré-adolescência). É um distúrbio sexual, no qual o individuo adolescente ou adulto, de ambos os sexos, apresenta atração sexual por crianças e por pré-adolescentes. O simples desejo sexual e não apenas o sexo, já caracteriza pedofilia. Não é preciso que haja sexo para haver pedofilia.

QUEM PODE SER PEDÓFILO ?

O pedófilo pode ser homem ou mulher, de qualquer classe social, e tem que ter mais de 16 anos e ser 5 anos mais velho que a vítima. Só existe pedofilia quando os crimes forem praticados contra menores de 14 anos.

PEDOFILIA É CRIME ?

Em nossa legislação não existe um crime intitulado “pedofilia”, assim, as conseqüências do comportamento de um pedófilo é que podem ser consideradas crime.

QUAIS OS CRIMES COMETIDOS POR PEDÓFILOS ?

Abuso Sexual (art165 do Código Penal) - É uma violência praticada por pessoas contra crianças e adolescente, dentro ou fora da família, para obter satisfação sexual. Constrangimento Ilegal (art 146 do Código Penal) – É quando alguém constrange, mediante violência ou grave ameaça, o outro a fazer ou deixar de fazer algo. Ameaça (art 147 do Código Penal) – consiste em ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de forma a causar-lhe mal. Seqüestro e Cárcere Privado (art 148 do Código Penal) – privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado, impedindo que ela saia de determinado lugar, mantendo-a presa contra a sua vontade. Lesões Corporais (art 129 do Código Penal) - acontece quando alguém agride outra pessoa fisicamente, causando alteração em sua integridade física. Estupro e Atentado Violento ao Pudor (art 213 do Código Penal) – ocorre quando alguém é constrangido, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso. Violência Sexual Mediante Fraude (art 215 do Código Penal) – ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude, ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. Estupro de vulnerável (art 217-A do Código Penal) – ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos. Corrupção de Menores (art 218 e 218-A do Código Penal) – induzir alguém menor de 14 (catorze) anos, a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem. Pornografia Infantil (art 240 a 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente) - divulgação e publicação de fotografias ou imagens pornográficas envolvendo infantes ou venda dessas imagens.

COMO IDENTIFICAR UMA VÍTIMA DE PEDOFILIA ?

Em geral, as vítimas podem apresentar um ou mais dos sinais e sintomas abaixo:
Dificuldade de caminhar e sentar.
Traumatismo físico ou lesões corporais, por uso de violência física.
Medo generalizado.
Agressividade, fugas frequentes de casa.
Mudanças extremas, súbitas e inexplicadas no comportamento, como oscilações no humor entre timidez e extroversão.
Tristeza, abatimento profundo ou depressão crônica. Fraco controle de impulsos e comportamento autodestrutivo ou suicida.
Ansiedade generalizada, comportamento tenso, sempre em estado de alerta, fadiga. Esgotamento físico.
Hipersexualidade – brincadeiras de conotação sexual.
Uso e abuso de substâncias como álcool, drogas lícitas e ilícitas.
Pontualidade exagerada, quando ainda freqüenta a escola; demonstra pouco interesse ou mesmo resistência em voltar para casa após a aula.
Não participação ou pouca participação nas atividades escolares.
Dificuldade de concentração e aprendizagem, resultando em baixo rendimento escolar.
Alto índice de abandono escolar.
O surgimento de objetos pessoais, brinquedos, dinheiro e outros bens, que estão além das possibilidades financeiras da criança/adolescente e da família, pode ser indicador de favorecimento e/ou aliciamento.
Tendência ao isolamento social, com poucas relações com colegas e companheiros.
Transtorno do déficit de atenção – hiperatividade.
Transtornos alimentares, como bulimia e anorexia.
Trasntornos de estresse pós-traumático.
Transtornos do sono.
Enurese (micção noturna).

ONDE POSSO DENUNCIAR ?

Para denunciar um caso, ou uma suspeita de pedofilia basta entrar em contato com um dos órgãos abaixo:

INTERNACIONAL: Interpol – www.interpol.int FBI – www.cybercrime.gov/reporting.htm

NACIONAL Polícia Federal – www.dpf.gov.br Safernet Brasil – http://denunciar.org.br

Site Censura – www.censura.com.br

ESTADUAL CDDH – denunciarcddh@yahoo.com.br / (21) 3382-2335

DISK 100 É GRATUITO!!! HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO 08:00 ÁS 22:00 HORAS

TODOS OS DIAS DISKDENUNCIA@SEDH.GOV.BR

EU PRECISO ME IDENTIFICAR? Não, qualquer denuncia desse tipo não exige identificação do denunciante.

PROTEGER AS CRIANÇAS É DEVER DE TODOS NÓS. QUEM DENUNCIA SALVA !!!

REFERÊNCIAS CID-10/ Organização Mundial da Saúde: tradução Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em português, 10. Ed.rev.-São Paulo: editora da Universidade de São Paulo, 2007, p.359.

Cartilha sobre Violência sexual infantil: Produção: Ministério da Educação, Ministro Fernando Haddad; Universidade de Brasília;Prof. Dr. Timothy Mulholland-Decanato Extensão;Profª Dra. Leila Chalub Martins; Grupo de Pesquisa sobre Violência e Exploração Sexual – VIOLES-Profª Dra. Maria Lúcia Pinto Leal.

PSIC - Revista de Psicologia da Vetor Editora, v. 6, nº 1, p. 27-34, Jan./Jun. 2005- Abuso sexual na infância: um estudo de validade de instrumentos projetivos, Ana Rita da Fonseca – Centro Universitário Salesiano de São Paulo; Cláudio Garcia Capitão – Universidade São Francisco;

FELIPE, J. Afinal, quem é mesmo pedófilo? Cadernos Pagu (26), janeiro-junho de 2006: pp.201-223.

Lei nº 12.015, de 07 de agosto de 2009.


Lei 8069, de 13 de julho de 1990, Estatuto da Criança e do Adolescente. 
 
ORGANIZAÇÃO

Autores:


- Prof. Arnaldo Risman, Coordenador do Projeto de Pesquisa “Pedofilia: em defesa de um corpo em desenvolvimento”, mestre em sexologia. - Rosania Lucia Figueira, advogada, mestre em saúde e meio ambiente, acadêmica do 9º período do Curso de Psicologia da Universidade Severino Sombra. - Stephanie Cristina Gonçalves Silva Miranda, acadêmica do 2° período do Curso de Psicologia da Universidade Severino Sombra.

Contato: grupo.risman@gmail.com

Colaboradores:

- Alunos integrantes do projeto de pesquisa “Pedofilia: em defesa de um corpo em desenvolvimento”

Apoio:

- Universidade Severino Sombra. - Banco do Brasil. - Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, fórum da Comarca de Vassouras-RJ. - Secretarias de Educação e de Saúde do Município de Vassouras/RJ. - Conselho Tutelar, Vassouras-RJ. - CEPCOS – Centro de Pesquisa do Comportamento e Sexualidade/SP.

Fonte: http://pesquisapedofiliauss.blogspot.com.br/2010/10/cartilha-do-projeto-contra-pedofilia.html?showComment=1349828775694#c359663014046690562

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Como lidar com o Transtorno de Conduta: Novas perspectivas




Diagnóstico

O transtorno de conduta é uma espécie de personalidade antissocial na juventude. Como a personalidade não está completa, antes dos dezoito anos não se pode dar o diagnóstico de personalidade patológica para menores, mas a correspondência que existe entre a personalidade antissocial e o transtorno de conduta é muito próxima. Basicamente consiste numa série de comportamentos que perturbam quem está próximo, com atividades perigosas e até mesmo ilegais. Tais jovens e crianças não se importam com os sentimentos dos outros nem apresentam sofrimento psíquico por atos moralmente reprováveis. Assim o comportamento desses pacientes apresenta maior impacto nos outros do que nos próprios.

Certos comportamentos como mentir ou matar aula podem ocorrer em qualquer criança sem que isso signifique desvios do comportamento, contudo a partir de certos limites pode significar. Para se diferenciar o comportamento desviante do normal é necessário verificar a presença de outras características e comportamentos desviantes, a permanência deles ao longo do tempo. Além das circunstâncias em que o comportamento se dá as companhias, o ambiente familiar, os valores e exemplos que são transmitidos devem ser avaliados para o diagnóstico. 

Curso

Tem sido observada uma tendência a se tratar de um problema duradouro que inicia na infância podendo chegar à idade adulta. Como é um transtorno relativamente novo não se pode afirmar cientificamente que durará a vida toda. Por enquanto tem se verificado que quanto mais precoce o início, maior a gravidade e tendência a durar ao longo da vida. Os sintomas vão dos mais leves como mentiras, falta às aulas até os mais graves como agressões físicas ou abuso de drogas. O desinteresse escolar e o próprio comportamento desviante levam ao fracasso acadêmico, tornando o futuro dessas crianças ou adolescentes mais limitado. O encontro com outras pessoas com o mesmo perfil pode ocasionar na formação de gangues, o que significa um primeiro passo na direção de atividades ilegais em grupo. Nesse caso as companhias podem precipitar as atividades delinquentes.


O ambiente escolar tanto pode incentivar como inibir, dependendo de suas características. Constata-se que uma boa escola faz diferença para a educação e formação dos adolescentes e crianças. Igualmente o suporte familiar e o envolvimento afetivo. A identificação com uma pessoa de boa índole tanto pode atenuar o comportamento como precipitar e aprofundar um comportamento patológico quando o parceiro afetivo age nesse sentido.

Um ciclo vicioso entre gerações é observado no ambiente antissocial do transtorno de conduta. Filhos de pais antissociais tendem a ser antissociais que por sua vez tendem a educar filhos antissociais perpetuando o ciclo. Não há evidências suficientes para se afirmar que esse problema seja mais genético do que ambiental, ou o contrário. Os estudo mostram influência genética, mas isso apenas não é suficiente para fazer surgir o transtorno de conduta.

Fatores associados ao comportamento antissocial

Na juventude- Historicamente, foi com o estabelecimento de clínicas vinculadas ao juizado de menores que profissionais de saúde mental puderam observar o desenvolvimento do comportamento antissocial na infância e adolescência. Ao constatar-se a grande frequência de problemas familiares e sociais na história de vida dos delinquentes juvenis, formulou-se a hipótese de uma reação às adversidades encontradas tanto no ambiente familiar como na comunidade. 

O jovem experimenta um impulso de busca do objeto, de alguém que possa encarregar-se de cuidar dele, esperando poder confiar num ambiente estável, capaz de suportar a tensão resultante do comportamento impulsivo. O ambiente é repetidamente testado em sua capacidade para suportar a agressão, tolerar o incômodo, impedir a destruição, preservando o objeto que é procurado e encontrado.

Na infância- Ser do sexo masculino, receber cuidados maternos e paternos inadequados, viver em meio à discórdia conjugal, ser criado por pais agressivos e violentos, ter mãe com problemas de saúde mental, residir em áreas urbanas e ter nível socioeconômico baixo.

Alguns autores referem que a baixa renda associada ao comportamento antissocial da criança está relacionada à personalidade antissocial materna e à negligência por parte dos pais. De fato, pode-se supor que mães antissociais teriam maior dificuldade para atingir níveis de renda mais elevados, pois não se manteriam no emprego e teriam menor condição de manter um relacionamento estável com um marido ou companheiro que contribuísse com a renda familiar. Pais antissociais também são frequentemente irresponsáveis e negligentes com seus filhos, deixando de alimentá-los adequadamente ou levá-los ao médico quando doentes. Além disso, adolescentes vivendo na pobreza e pouco valorizados pelos pais podem buscar reconhecimento pessoal e ascensão econômica através de atividades delinquenciais grupais.
Quanto ao ambiente familiar agressivo e violento, não se pode deixar de mencionar a influência da violência doméstica e do abuso físico sobre o comportamento antissocial na infância.

Fatores genéticos e neurofisiológicos também podem estar envolvidos no desenvolvimento do comportamento antissocial. Estudiosos relatam que a taxa de criminalidade nos pais biológicos é maior que nos pais adotivos de indivíduos com antecedentes criminais. A influência genética é mais evidente nos casos acompanhados de hiperatividade e pode ser responsável pela maior vulnerabilidade do indivíduo aos eventos de vida e ao estresse.

Finalmente, há indícios de diferenças nos fatores de risco para o comportamento antissocial segundo o sexo do indivíduo. Em levantamento populacional realizado no Canadá, envolvendo 1.651 indivíduos com 16 a 24 anos, verificou-se que além da presença de comportamentos antissociais antes dos 15 anos, outros fatores foram considerados de risco para comportamento antissocial na adolescência e início da vida adulta. Para os homens, foi fator de risco o fato de ter convivido na infância com pais com problemas de saúde mental (depressão, mania, episódios psicóticos), enquanto para as mulheres, destacaram-se o abuso sexual na infância e o fato de ter sido criada por pais com comportamento antissocial ou abuso de álcool/drogas.


Comorbidade

As crianças e adolescentes com transtorno de conduta apresentam também mais do que outras pessoas na mesma faixa etária, incidência de transtornos mentais. O mais frequente é o déficit de atenção com hiperatividade, estando presente em aproximadamente 43% dos casos, os transtornos de ansiedade e obsessivo-compulsivos em 33% dos casos. O abuso de substâncias psicoativas também é mais elevado dentre os adolescentes com transtorno de conduta.

Tratamento

Os tratamentos citados na literatura não apresentam respostas satisfatórias, mas alguma melhora do comportamento é possível de ser obtida com uma intervenção em diferentes áreas. A psicoterapia individual usa de medicação para os sintomas mais proeminentes, psicoterapia familiar, orientação de pais, treinamento dos envolvidos no trato direto como os professores. Abordagens isoladas como psicoterapia individual dificilmente surtirão algum benefício. Atividades extracurriculares podem ter grandes benefícios como natação e musicalidade. O jogo de Xadrez pode ser muito bem desempenhado no caso de crianças/ adolescentes com transtorno de conduta, pois estimula a consciência do limite necessário para a convivência dentro da sociedade, além do raciocínio.





Reserva de diferencial teórico

Boa parte da literatura quando tratados sobre os transtornos de conduta e antissociais vem regados de declarações como falta de sentimentos, ou sentimentos hostis para o mundo externo. No diagnóstico de algum transtorno antissocial ou algum outro quadro acompanhado de alguns sintomas da não socialização ou socialização patológica (antissocial), nem sempre esses indivíduos mantém sentimentos e / ou atitudes hostis, eles podem sentir o contrário da hostilidade (que nem sempre o amor), mas algo que assemelha a sentimentos bons e fraternos. O universo de seus sentimentos é controverso e seu funcionamento é ambíguo. 
Temos como exemplo o caso de Elize Matsunaga envolvida na morte de seu marido Marcos Kitano Matsunaga no caso “Yoki”, acusada de matar seu marido. Elize mantinha sentimentos pela filha e preocupação com a mesma. 

Não estranhem que tais pessoas exclamem fortes sentimentos de amor, cumplicidade por algo ou alguém, eles podem ser verdadeiros, mas virem acompanhados também de atitudes contrárias ou deslocadas para alguma outra área específica. 

Um exemplo é de um empresário que dentro de uma empresa mostra ser um grande líder, autoritário e não ter piedade de ninguém, mas que em casa e em seu casamente demonstra ser atencioso e marido cúmplice.
O mais plausível em casos antissociais e em outros quadros de transtornos mentais é encarar o sujeito como sendo único, apesar de seu comprometimento psíquico, e sua subjetividade dentro de seu tratamento, entendendo que cada ser humano é único e merece respeito pela sociedade, além de ter o direito da responsabilidade do tratamento da sua própria cura. Outra atitude importante é analisar a situação como um todo, não descartando as diversas possibilidades e complexidades do ser humano (tal se faz a importância de uma análise em consultório). Não devemos esquecer que cada indivíduo é único tanto na dor quanto no amor.

Conclusão

Comportamentos antissociais são frequentemente observados no período da adolescência como sintomas isolados e transitórios. Porém, estes podem surgir precocemente na infância e persistir ao longo da vida, constituindo quadros psiquiátricos de difícil tratamento. Fatores individuais, familiares e sociais estão implicados no desenvolvimento e na persistência do comportamento antissocial, interagindo de forma complexa e ainda pouco esclarecida. Como o comportamento antissocial torna-se mais estável e menos modificável ao longo do tempo,30 crianças e adolescentes com transtorno da conduta precisam ser identificados o mais cedo possível para que tenham maior oportunidade de beneficiar-se de intervenções terapêuticas e ações preventivas. O tratamento mais efetivo envolve a combinação de diferentes condutas junto à criança/adolescente, à família e à escola. Quando não é possível o acesso a intervenções complementares, o profissional de saúde mental deve identificar a conduta terapêutica prioritária em cada caso específico.

Fontes que auxiliaram a pesquisa:
http://www.psicosite.com.br/tra/inf/conduta.htm
http://www.scielo.br/scielo.

Revisão: Jaqueline Cristina.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Atenção aos sinais de autismo: Identificação prévia pode ajudar a criança em seu desenvolvimento




Deitado na cama dos pais, o bebê Pedro parece indiferente às tentativas dos parentes de chamar sua atenção. Observa as almofadas e outros objetos do quarto e não fixa os olhos em nenhum dos rostos sorridentes ao seu redor. Aos poucos, as brincadeiras da mãe transformam-se em pedidos angustiados de atenção, mas ele continua aparentemente surdo aos apelos. A cena de poucos minutos é de um vídeo caseiro, parte do material de pesquisa do neuropsiquiatra Fillipo Muratori, da Universidade de Pisa. Ao analisarem o comportamento do menino, diagnosticado anos depois com autismo, e de outras crianças em gravações caseiras, Muratori e sua equipe mostraram que os sintomas do transtorno do desenvolvimento surgem desde cedo.

 A estimativa é que uma em cada 88 crianças tem o transtorno do espectro autista (TEA), segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDCs, na sigla em inglês). O termo “espectro” significa que há vários graus do distúrbio, mas todos compreendem, em menor ou maior intensidade, os seguintes sintomas: profunda ausência de habilidades sociais, baixa capacidade de comunicação e comportamentos repetitivos, apatia, aparente surdez, ausência de expressões faciais de afeto. Independentemente da gravidade da manifestação, há problemas de interação social.

Humanos têm disposição inata para relacionamentos e comunicação: somos sensíveis às expressões faciais, reagimos a elas. Nas crianças autistas, no entanto, algo falha nesse contato inicial. Para a psicanálise, os sintomas podem se manifestar como um refúgio defensivo, desencadeado por experiências emocionais traumáticas. O psicanalista Alfredo Jerusalinsky, especialista em autismo, considera que o transtorno é uma interação entre causas neurobiológicas e experiências traumático-psicológicas nas relações primordiais entre mãe e bebê. Em outras palavras, a manifestação inicial de algum sintoma de origem orgânica afasta o bebê do ideal dos pais. Se desistem de estimular a criança, o quadro se agrava.

A boa notícia é que as chances de melhora dos sintomas são significativas quando o diagnóstico é feito até os primeiros dois anos de vida. Nesta fase, considerada por muitos especialistas em desenvolvimento infantil um divisor de águas, ocorre uma mudança considerável nas habilidades de intuição social e na aquisição de linguagem. Psicanalistas especializados em crianças e adolescentes têm estudado formas de estimular o autista de forma adequada. Estudos recentes têm mostrado que abordagens que utilizam o “manhês” – linguagem caracterizada por entonações de voz e ritmos específicos que adultos usam instintivamente ao se dirigir aos filhos pequenos – e expressões faciais exageradas podem ser eficazes para tentar inserir a criança no universo da expressão verbal.

Mesmo em casos em que os sintomas são mais intensos, possivelmente associados a causas neurobiológicas, o atendimento psicanalítico precoce e contínuo pode contribuir para o desenvolvimento psíquico – o profissional pode ajudar os pais a entender o transtorno, apontando caminhos para lidarem com as culpas, frustração das expectativas, angústias e dores. Enfim, mostrar-lhes a real possibilidade de se tornarem aliados no desenvolvimento da criança.

Os sintomas do autista, geralmente persistem ao longo de toda a vida e são verificados através de muita observação, tais como:


  • Usa as pessoas como ferramenta, isto é, aponta objetos para que as pessoas peguem para eles sem manifestarem esforço para faze-lo.
  • Resiste a mudanças de rotina.
  • Isola-se e não se mistura a outras crianças.
  • Não mantêm contato visual com outra pessoa.
  • Age como se fosse surdo, não atendendo a chamados.
  • Resiste ao aprendizado.
  • Apresenta apego a determinados objetos.
  • Não apresenta medo de perigos.
  • Gira objetos de maneira estranho e peculiar.
  • Apresenta risos e movimentos com relação a nada.
  • Resiste extremamente ao contato físico.
  • Acentuada hiperatividade física.
  • Às vezes torna-se agressivo, destrói objetos, ataca e fere pessoas aparentemente sem motivo.
  • Apresenta certos gestos imotivados como balançar as mãos ou ficar balançando-se.
  • Apresenta comportamento indiferente e arredio.
  • Cheira ou lambe os brinquedos. 



Fontes: Mente e Cérebro e Fio Cruz ( http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/autismo.htm )

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Aprenda três exercícios de respiração para viver melhor Respirar com atenção pode ser a chave para uma vida mais saudável



Em um único dia, respiramos pelo menos 21,6 mil vezes. Segundo do fisiologista Walter Araújo Zin, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a cada minuto, quando inspiramos, 7,5 litros de ar, em média, entram pelas nossas narinas e penetram nos pulmões até chegar aos alvéolos, um emaranhado de pequenas bolsas que, esticado, teria o tamanho de uma quadra de tênis. Por eles, o oxigênio atinge a corrente sanguínea e, depois, as células, que fazem você existir.

Na medicina convencional, pesquisas vêm mostrando a ligação entre a fisiologia da respiração, a neurologia e o comportamento. Sabe-se, por exemplo, que tomar consciência da forma como você inspira e expira pode ser um tratamento.

"Os exercícios respiratórios não substituem a medicação, mas podem ser tão importantes quanto ela", afirma o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, chefe do Laboratório de Pânico e Respiração da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comentando doenças como o estresse, depressão e mesmo a síndrome do pânico.

A respiração certa acontece no diafragma, músculo que separa o pulmão de outros órgãos no abdome. Uma inspiração correta deve fluir suavemente e de forma profunda por meio desse músculo. Uma expiração longa, na mesma medida, consegue liberar muitas tensões.
Pratique três exercícios de respiração:

Respiração diafragmática em shavasana
Deite confortavelmente sobre uma superfície firme, com os pés um pouco afastados e os braços ao longo do corpo, palma das mãos para cima. Deixe o ar entrar e sair com suavidade pelo nariz. Apoie uma das mãos sobre o peito, procurando deixá-la o mais imóvel possível, e descanse a outra mão abaixo das costelas, na região do baixo abdome. Imagine seu diafragma como uma bexiga, que infla na inspiração e esvazia na expiração.

Bramari
Sentada em uma cadeira, inspire pelas duas narinas. Ao expirar, solte os músculos da boca e tente reproduzir o zumbido de uma abelha. Os iogues acreditam que a técnica traz alegria.

Nadi shodana
Sentada, ereta, coloque o dedo médio e o indicador da mão direita no ponto entre as sobrancelhas. Expire pelas duas narinas. Então, tampe a narina direita com o polegar e inspire apenas pela esquerda. Tampe a esquerda com o dedo anular e solte o ar pela direita. Agora inspire pela direita, tampe-a com o polegar e solte pela esquerda, completando um ciclo completo. Faça 12 ciclos. Esse pranayama restaura o equilíbrio em momentos de crise.
Fonte: Revista Claudia

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Perguntas frequentes sobre doação de sangue



 
- Doar sangue engorda ou faz emagrecer?
Ao doar sangue você não engorda nem emagrece.

- Doar sangue engrossa ou afina o sangue?
Não engrossa nem afina o sangue, é apenas um mito.

- Doar sangue vicia?
Não. A doação de sangue não está relacionada a nenhuma dependência.

- É preciso algum documento de identidade?
Sim. O candidato deve apresentar documento original com foto, expedido pelo órgão oficial. Exemplos: Carteira de Identidade (RG ou RNE), passaporte, Carteira de Trabalho, Carteira de Identidade de Profissional, Carteira Nacional de Habilitação com foto e Certificado de Reservista.

- Fiz uma tatuagem há um ano. Posso doar?
Sim. Quem fez tatuagem há mais de um ano pode doar sangue.

- Há substituto para o sangue?
Não. Ainda não há nenhum substituto do sangue.

- O que é sangue universal?
Hoje sabemos que não existe sangue universal. Todas as pessoas têm características diferentes e por isso, quando necessitam de transfusão de sangue, precisamos fazer exames pré-transfusionais independente do grupo sanguíneo do doador e do receptor.

- O que é feito com o sangue que doamos?
Após a coleta, a bolsa coletada é fracionada em componentes sangüíneos (concentrado de hemácias, de plaquetas e plasma). Esses componentes são liberados para uso somente após o resultado dos exames. As unidades que apresentam reatividade sorológica são descartadas. Uma única unidade doada pode beneficiar três pacientes.

- O que é sangue raro?
É um sangue com característica especifica de baixa frequência na população e algumas vezes, pode ser uma característica familiar.

- O que se consegue em troca da doação de sangue?
A satisfação de beneficiar pessoas que não têm outra opção e dependem do gesto de pessoas como você para se sentir melhor.

- Tomei vacina para Hepatite B. Posso doar sangue?
A vacinação para Hepatite B impede a doação por 48 horas.

- A mulher pode doar sangue durante o período menstrual?
Sim.

- Doar sangue dói?
Não.

- O que acontece se uma pessoa que não sabe se está anêmica quiser doar sangue?
O candidato à doação é atendido por um profissional do Serviço de Hemoterapia, que realiza um teste rápido para verificar se o doador está ou não anêmico.

- O que são situações de risco acrescido para se transmitir doenças através da doação de sangue?
Ter múltiplos parceiros sexuais ocasionais ou eventuais sem uso de preservativo, usar drogas ilícitas, ter feito sexo em troca de dinheiro ou droga, ter sido vítima de estupro, ser parceiro sexual de pessoa que tenha exame reagente para infecções de transmissão sexual e sangüínea, ter parceiro sexual que pertença a alguma das situações acima, dentre outras.

- O uso de medicamento pode impedir alguém de doar?
O uso de medicamento deve ser analisado caso a caso. Portanto, antes de doar consulte o Serviço de Hemoterapia.

- Quanto tempo dura a doação?
O procedimento todo (cadastro, aferição de sinais vitais, teste de anemia, triagem clínica, coleta do sangue e lanche) leva cerca de 40 minutos.

- Quanto tempo leva para o organismo repor o sangue doador?
O organismo repõe o volume de sangue doado nas primeiras 24 horas após a doação.

- Quem está fazendo regime para emagrecer ou dieta pode doar sangue?
Sim. Dietas para emagrecimento não impedem a doação de sangue, desde que a perda não tenha comprometido a saúde.

- Quem estiver fazendo tratamento homeopático pode doar sangue?
Sim.

- Quem estiver fazendo tratamento com algum antibiótico pode doar sangue?
Depende do porquê a pessoa está tomando antibióticos. Em linhas gerais, para infecções simples e sem complicações, o doador deve aguardar 15 dias após a última dose do antibiótico para doar sangue. Infecções mais graves como pneumonia, meningite, entre outras, podem necessitar de um tempo maior para liberação do candidato à doação.

- Quem estiver fazendo tratamento com algum anti-inflamatório pode doar sangue?
Dependendo do motivo, a doação pode ser realizada normalmente. Não se esqueça de informar o nome do anti-inflamatório que você esta tomando.

- Quem faz tratamento para acne pode doar sangue?
Depende do tipo de tratamento. Caso o tratamento inclua o uso de antibióticos ou outros remédios de uso oral, não será posspivel doar.

- Quem tomou analgésico pode doar sangue?
Pode, mas é importante que no dia da doação o doador esteja sem dores.

- Grávidas podem doar sangue?
Não. Mas se o parto for normal, a mulher pode doar depois de três meses. Em caso de cesariana, após seis meses. Se estiver amamentando, aguardar 12 meses após o parto.

- É necessário estar em jejum para doar sangue?
O doador não deve estar em jejum. Tem que estar alimentado e descansado, evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação.

- Quem está gripado pode doar sangue?
Recomenda-se aguardar sete dias após a cura para poder doar.

- Quem tem diabete pode doar sangue?
Se a pessoa que tenha diabetes estiver controlando apenas com alimentação ou hipoglicemiantes orais e não apresente alterações vasculares, poderá doar. Caso ela tenha utilizado insulina uma única vez, não poderá doar.

Instituto Nacional de Câncer - INCA
Praça Cruz Vermelha, 23 - Centro
20230-130 - Rio de Janeiro - RJ 
Tel.:             (21) 3207-1000