A palavra transtorno pode ser entendida como querendo significar um prejuízo, algo desorganizado,uma contrariedade, uma perturbação, um turvamento cognitivo do juízo no indivíduo.
O que é oestresse ou stress?
O estresse é uma resposta do organismo frente a um perigo, que prepara o corpo para fugir ou lutar. Está presente nos animais com a finalidade de preservação da espécie, como por exemplo, para fugir de um predador. Hoje não precisamos nos defender de predadores, mas há muitas outras coisas que disparam o gatilho do estresse, que podem ser externas ou internas, agudas ou crônicas. As externas incluem condições físicas adversas (comodor, frio ou calor excessivos) e situações psicologicamente estressantes (más condições de trabalho, problemas de relacionamentos, insegurança, etc). Entre as internas estão também as condições físicas (doenças em geral) e psicológicas. O estresse agudo é uma reação a uma ameaça imediata, que pode serqualquer situação que é experimentada como um perigo. Algumas pessoas, por exemplo, tem verdadeiro pavor de viajar de avião, e quando o fazem, apresentamum estresse passageiro. Contudo, a vida moderna frequentemente nos expõe a situações cronicamente estressantes, e a resposta do organismo ao estresse não é suprimida. Dentre os fatores estressantes crônicos, estão a pressão no trabalho, problemas derelacionamento, solidão, problemas financeiros e a insegurança.
O que é o PTSD?
O PTSD caracteriza-se por uma perturbação psíquica decorrente e relacionada a um evento fortemente ameaçador ao indivíduo, ou a ele como testemunha do drama ocorrido. O transtorno consiste num tipo de recordação que é mais bem definido como revivescência, pois é muito mais forte que uma simples recordação. Na revivescência além derecordar as imagens o indivíduo sente como se estivesse vivendo novamente atragédia com todo o sofrimento que ela causou originalmente. O transtorno então é a recorrência do sofrimento original de um trauma, que além do próprio sofrimento é desencadeante também de alterações neurofisiológicas e mentais.
Experiências traumáticas
Algumas das nossas muitas experiências traumáticas podem ser resultantes de:
a) violência como estupro, assalto à mão armada,etc;
b) desastres naturais como enchentes, terremotos, erupções vulcânicas, furacões, tsunamis, etc;
c) acidentes tais como de carro, avião, trem, incêndios, etc; e
d) também desastres causados deliberadamente como por exemplo as guerras, atosterroristas, tortura física e psicológica, campos de refugiados de guerra, etc
Epidemiologia
Segundo HELZER,ROBINS e MCCEVOY (1987), alguns estudos iniciais de prevalência mostram índices de 1 a 2% de PTSD na população geral nos EUA como o Epidemiologic Catchment Area (ECA) do National Institute of Mental Health (NIMH).
Já estudos mais recentes mostram índices mais altos na faixade 7 a 9% na população geral americana, sendo a maior prevalência em mulheres(Sciancaleporee Motta, 2004).
Alguns estudos igualmente voltaram sua atenção para as prováveis consequências de traumascomo os ataques do 11 de setembro nos EUA (Thiel et al,2003-2004)
É de suma importância estes estudos, na medida em que se vemobservando em todo o mundo,a crescente exposição de pessoas à violência urbana eserem penalizadas compsicopatologias que limitam suas vidas no cotidiano.
No Brasil não há estudos de prevalência de PTSD, mas diantede tanta violência doméstica e urbana, violência contra a mulher, maus tratos acrianças, etc pode-se prever de que a prevalência não seja inferior à de outros países.
Classificação
Segundo o CID 10ºed (Classificação Internacional de doenças) temos nesta categoria F40-F48, Transtornos neuróticos, relacionados ao estresse e somatoformes. Assim, dentro de F43-Reação a estresse grave e transtornos de ajustamento temos o F43.1-Transtorno de estresse pós traumático.
É definido como uma resposta tardia e/ou protraída a um evento ou situação estressante de curta ou longa duração, de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica que causa angústia invasiva emquase todas as pessoas.
Diretrizes diagnósticas
O TEPT caracteriza-se pela presença de, pelo menos, um sintomade cada uma das três categorias:
1. revivência persistente do evento comopesadelos, flashbacks ou alucinações, pensamentos e imagens intrusivos.
2. esquiva persistente de determinados estímulos (GATILHOS), atividadese situações relacionadas ao trauma, bem como sintomas depressivos como perda do interesse por determinadas coisas, isolamento, tristeza, etc.
3. persistente elevação da excitabilidade com distúrbios do sono, irritabilidade, dificuldade deconcentração, hipervigilancia, reações de sobressalto,etc.
Os sintomas devem ter a duração de pelo menos um mês para que o diagnóstico seja estabelecido.
Certos sintomas não compõem o diagnóstico, mas podem serencontrados nos paciente com estresse pós-traumático como dor de cabeça,problemas gastrintestinais, problemas imunológicos, tonteiras, dores no peito, desconfortos.
Grupo de Risco
Qualquer pessoa pode desenvolver estresse pós-traumático, desde uma criança até um idoso. Os sintomas não surgem necessariamente logo após o evento, podem levar meses. O intervalo mais comum entre evento traumatizante e o início dos sintomas são três meses. Muitas pessoas se recuperam dos sintomas em seis meses aproximadamente, outras podem ficar com os sintomas durante anos.
Etiologia
Desde a década de 1990 alguns autores têm sugerido quealgumas estruturas cerebrais ligadas à memória e aos sistemas neuroquímicos, participam na formação doPTSD. Assim também algumas hipóteses psicológicas ligando o trauma e comrespostas condicionadas em indivíduossuscetíveis.
JONES e BARLOW (1990) fizeram uma revisão das diversasteorias sobre a etiologia do PTSD e propuseram um modelo muitointeressante. Eles concluíram que vulnerabilidade biológica do indivíduo,atribuição de significados de ameaça de vida aos estressores, tipo depersonalidade do sujeito e ausência de fator social como algo protetor podemfazer eclodir o PTSD.
Curso e Prognóstico
É bom lembrar de que nem todas as pessoas que passam por experiênciastraumáticas desenvolvem o transtorno. A presença de uma vulnerabilidade psico –biológica pode ser decisiva para desenvolver ou não o PTSD.
Como preditores de mau prognóstico estão os traumasanteriores, outros eventos que foram estressantes na época do evento, falta de suporte social e co-morbidade com outros transtornos psíquicos (por exemplo:um transtorno de humor).
Tratamento
Pode haver uma terapêutica medicamentosa com o uso deantidepressivos e ansiolíticos como a sertralina (O cloridrato de sertralina é um medicamento utilizado no tratamento da depressão. O mecanismo de açãoé a inibição da recaptação da serotonina) e a paroxetina (A Paroxetina é um antidepressivo inibidor darecaptação da serotonina). Uma medicação promissora talvez mais eficaz que a sertralinaé o topiramato (O topiramato não serve apenas paraessas duas coisas enxaqueca e controlo de peso, serve também como estabilizadorde humor). Aliás tem sido amplamente prescrito por médicos, ou seja, o topiramato virou a estrela dos últimos tempos.
As primeiras investigações com ele mostraram uma respostaaltamente satisfatória. Quem não obteve resposta com o tratamento convencionalpode experimentar esse novo anticonvulsivante e estabilizador do humor.
O uso da Terapia cognitivo-comportamental comum e a de exposição é muito recomendada, ou seja, a exposição à memória traumática,promove a extinção da esquiva diante da cena do trauma.
Fonte: Dra. Suely Bischoff Machado de Oliveira, CRP: SP8495, é psicóloga cadastrado no HelpSaúde.
http://blog.helpsaude.com/2012/02/transtorno-de-estresse-pos-traumatico.html
Carlos Camacho Espíndula, 25 anos residente no município de Francisco Beltrão, localizado na região sudoeste do Paraná, entrou em convulsão e evoluiu para óbito após uma maratona de 12 horas de leitura de obras científicas para a finalização de seu Trabalho de Conclusão de Curso.
Os pais do jovem o encontraram caído no chão do quarto segurando o livro ‘Direito Civil: Família e Sucessões’. Sua monografia deveria ser entregue na próxima segunda-feira (12/03) para o Prof. Helvécio Dias Barroso, que está sendo investigado por homicídio culposo em função das excessivas cobranças em relação a leituras e correções na redação do TCC.
Arnaldo da Rocha Trigueiro, responsável pela delegacia de homicídios de Curitiba, revelou em entrevista coletiva que o professor praticava uma modalidade de bullying acadêmico com seus orientandos. Sob a alegação que buscava a excelência do texto científico ‘ele humilhava alunos com comentários obscenos e desumanos que marcavam negativamente a psique dos seus orientandos’.
Em um capítulo da Monografia de Carlos o delegado encontrou uma observação extremamente degradante feita pelo Prof. Barroso. Escrito em letras garrafais no canto superior da primeira página se lia: “nem por um casal de caralhos você vai apresentar uma merda dessa”.
A família do estudante informou que ele chagava a passar 16 horas estudando e sempre que voltava das reuniões de orientação de TCC estava cabisbaixo e com lágrimas nos olhos. O laudo médico da perícia comprovou que a morte derivou de uma convulsão ocorrida pela excessiva atividade mental. Nunca antes na história deste país a expressão ‘se matou de estudar’ fez tanto sentido.
O Conselho Regional de Psicologia (CRP) e o Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) do Rio de Janeiro convidam para o II Encontro de Psicólogos e Assistentes Sociais do Campo Sociojurídico: Entraves e Desafios Eticopolíticos da Prática Profissional, que será realizado nos dias 19 e 20 de abril na sede da OAB-RJ. A participação é gratuita.
O evento é direcionado para profissionais e estudantes que atuam ou têm interesse em atuar no campo sociojurídico, além de demais interessados, e contará com a participação de nomes como Marildo Menegat e Fatima Grave (ESS/UFRJ), Esther Arantes (UERJ), Maria Livia Nascimento (UFF) e Elisabeth Borgianni (Tribunal de Justiça de São Paulo).
As inscrições devem ser feitas pelo email eventos@crprj.org.br ou pelo telefone 21 2139-5439 .
II Encontro de Psicólogos e Assistentes Sociais do Campo Sociojurídico:
Entraves e Desafios Eticopolíticos da Prática Profissional
Datas: 19 e 20 de abril de 2012
Local: OAB-RJ – Av. Marechal Câmara, 150 – Centro – Rio de Janeiro - RJ
PROGRAMAÇÃO
Dia 19 de abril
Manhã
Mesa de Abertura: CRESS-RJ, CRP-RJ, representante da OAB-RJ, CFP e CFESS
Conferência de Abertura: “Justiça: a serviço de quem?” Com Marildo Menegat
Tarde - Grupos de Trabalho:
1) Inquirição e depoimento sem dano
2) Exame criminológico e Comissões Técnicas de Classificação (CTC)
3) Interdição
4) Sistema Socioeducativo
Dia 20 de abril
Manhã
Apresentação de resumo dos debates dos Grupos de Trabalho
Mesa:“Estado penal: práticas punitivas e práticas profissionais” Com Elizabeth Borgianni (TJSP) e Esther Arantes (UERJ)
Tarde
Mesa: “Diálogos possíveis entre as profissões”
Com Maria Livia Nascimento (UFF) e Fátima Grave (UFRJ)
Espíritos revolucionários sofrem em alguma área de sua vida. Lógico, entregam à humanidade parte de seu legado em troca de percalços na sua vida pessoal. Típico disso era Freud, um neurótico, designação essa em que cabe "n" expressões; e que vos digo: se Freud não fosse um neurótico o que seria da Psicanálise?; se Maysa não sofresse por amor o que seriam de suas músicas?; se não fosse a angústia de viver, o que seria de Clarice Lispector?; Se não fossem as questões incessantes servidos de critérios de uma natureza patológica (podemos assim dizer, lendo um pouco sobre ele e suas correspondências com o pai da Psicanálise) de Wihelm Fliess o que seriam dos primeiros estudos da Psicologia e o desenvolvimento de "A interpretação dos sonhos" de Freud?. Apesar de papai (Sig. Freud) ter sido um neurótico e viciado em anfetaminas pelo menos ele surpreendenu a humanidade e deixou seu legado como um dos mais importantes estudos!. Agora deixo um questionamento: Quantas pessoas não sofrem, ou sofrem, e vivem vidas sem sentido tais como amebas e não criam nada de interessante e fundamental para sua sociedade?. Termino essa pequena reflexão com uma frase da resenha que está linkada abaixo, de Nora Miguelez da Sedes SP:
"Muito fácil não é. Ser completamente sincero consigo mesmo é um bom exercício. Um único pensamento de validade universal me tem sido dado. Também em mim tenho achado o desejo pela mãe e o ciúme pelo pai e agora considero isso um sucesso universal da infância ."
Esse link trata de alguns pensamentos a respeito do livro da Elisabeth Roudinesco, livro o qual utilizei em boa parte do meu trabalho de conclusao do curso de Psicologia "A família em desordem" http://www.sedes.org.br/Departamentos/Formacao_Psicanalise/freud_roudinesco_e_edipo.htm
Sabemos que por de trás de toda obra há sempre um criador e essas obras carregam e muito, materiais, características fiéis de quem as cria. Farei um breve resumo de algumas obras do inigualável Kurt Cobain. Lembrando que o que descrevo abaixo só se refere a um pequeno esboço de um possível quadro que podemos enquadrar o sujeito em questão, tal que se refere ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ou também conhecidamente, Transtorno de Personalidade Limítrofe; e que tal não se torna tão “eficiente”, pois para diagnosticar um indivíduo se faz necessário “estudá-lo”/ analisá-lo por tempo prolongado, de no mínimo seis meses, e claro, tê-lo pessoalmente envolvido nesse diagnóstico. Como não é possível tal contexto, o presente diagnóstico apenas se refere a uma ousada interpretação de suas escrituras (obras) baseadas em uma descrição psicológica/ psicanalítica.
Para você leitor, entender do que se trata um Transtorno de Personalidade Borderline, citarei os elementos fundamentais de um diagnóstico desse tipo de transtorno a partir de fontes conceituadas como o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth Edition), publicado em 1994 pela American Psychiatric Association e os critérios que pautam o diagnóstico através de outra fonte reconhecida internacionalmente, que é o CID 10 (Classification of Mental and Behavioural Disorders Clinical descriptions and diagnostic guidelines ou Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento décima edição).
Seguindo o DSM- IV, verifica-se:
SINTOMAS AFETIVOS
1. Instabilidade afetiva acentuada devida reatividade intensa do humor (por exemplo: episódios de disforia, irritabilidade, ou ansiedade geralmente durante algumas horas e raramente, no máximo, alguns dias).
2. Ira, ódio ou raiva inapropriados, intensos e de difícil controle (por exemplo: apresenta frequentes demonstrações de irritação, raiva constante, sentimento de vinganças, lutas corporais recorrentes.)
3. Sentimentos crônicos de vazio e tédio.
SINTOMAS IMPULSIVOS
4. Conduta recorrente de tentativas ou ameaças de suicídio e comportamentos de automutilação.
5. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado por extremos de idealização e desvalorização, ou amor e ódio, bom ou mau etc.
6. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por exemplo, exageros em: gastos financeiros, sexo, drogas, álcool, direção imprudente, comer, cleptomania ou outros tipos de compulsões.) Nota: não incluir comportamento suicida ou auto-mutilante estabelecido no critério 4.
Sintomas interpessoais
6. Esforços frenéticos para evitar um abandono/rejeição real ou imaginado. Nota: não incluir comportamento suicida ou auto- mutilante estabelecido no critério 4.
7. Instabilidade na identidade: auto- imagem, preferência sexual, gostos e valores persistentemente instáveis.
SINTOMAS COGNITIVOS
9. Ideação paranóide transitória relacionada ao estresse, ou severos sintomas dissociação.
Dentro do CID- 10 encontra-se esse transtorno enumerado e nomeado por:
F60.3 - PERSONALIDADE COM INSTABILIDADE EMOCIONAL
Transtorno de personalidade caracterizado por tendência nítida a agir de modo imprevisível sem consideração pelas conseqüências; humor imprevisível e caprichoso; tendência a acessos de cólera e uma incapacidade de controlar os comportamentos impulsivos; tendência a adotar um comportamento briguento e a entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados.
Dois tipos podem ser distintos: o tipo impulsivo, caracterizado principalmente por uma instabilidade emocional e falta de controle dos impulsos; e o tipo "borderline", caracterizado além disto por perturbações da auto-imagem, do estabelecimento de projetos e das preferências pessoais, por uma sensação crônica de vacuidade, por relações interpessoais intensas e instáveis e por uma tendência a adotar um comportamento autodestrutivo, compreendendo tentativas de suicídio e gestos suicidas.
Inclui:
Personalidade (transtorno da):
• agressiva
• borderline
• explosiva
Exclui:
personalidade dissocial (transtorno da) (F60.2)
Para se tornar mais didático esse breve diagnóstico da estrela do rock Kurt Cobain, citarei uma de suas músicas e ao lado das estrofes, citarei alguns critérios que o enquadram ao TPB e explicar como eles se encaixam em fatos demonstrados na vida dele posteriormente, ok? Vamos lá:
I'm so happy
Eu estou tão feliz= sentimento de exaltação, euforia
'Cause today I've found my friends
Porque hoje eu encontrei meus amigos
They're in my head
Eles estão na minha mente
I'm so ugly but that's okay,
Eu sou tão feio, mas tudo bem = DESPERSONALIZAÇÃO e sentimento de desvalia com sua auto- imagem. Essa estrofe é marcante para o diagnóstico de Kurt em TPB no que se refere à despersonalização
'Cause so are you, we broke our mirrors
Você também é, quebramos nossos espelhos= DESPERSONALIZAÇÃO e sentimento de desvalia e menosprezo com o outro
Sunday morning is everyday
Manhã de domingo é todo dia= sentimento de vazio e disforia, depressivo= instabilidade emocional, comparada ás estrofes posteriores e anteriores.
For all I care and I'm not scared
Me importo com tudo e não estou com medo = euforia e audácia= instabilidade emocional (mesmo critério acima do porquê de ser considerada labilidade emocional)
Light my candles in a daze
Acendo minhas velas, com deslumbre = euforia= labilidade emocional
'Cause I've found God
Pois encontrei Deus= êxtase,exaltação= instabilidade emocional
I'm so lonely, but that's ok
Eu estou tão só, mas tudo bem= sentimento de vazio
I shaved my head and I'm not sad
Eu raspei minha cabeça e não estou triste= instabilidade emocional recorrente ao sentimento de felicidade citado anteriormente e despersonalização novamente, já que não se importa com sua auto- imagem. Pessoas que sofrem de TPB a auto-imagem não é muito clara. Então tendo cabelo ou não, gordo ou magro, isso não irá fazer muito sentido, pois ele não consegue se ver realmente)
And just maybe I'm to blame
E apenas talvez, eu deva ser culpado= ansiedade depressiva (conceito de Melanie Klein, autora da Psicanálise, em que seus estudos contribuem muito para o entendimento do comportamento Borderline quando trata sobre conceitos como “Seio bom” e “Seio mau”, e especialmente as fases do luto, entre elas ansiedade depressiva)
For all I've heard, but I'm not sure
Por tudo que ouvi, Mas eu não tenho certeza
I'm so excited
Estou tão empolgado= excitação= instabilidade, pois logo após por várias passagens o sentimento de vazio foi substituído pela excitação (no contexto da composição)
I can't wait to meet you there, but I don't care
Eu não posso esperar para te encontrar lá, mas eu não me preocupo
I'm so horny
Estou com tanto tesão
But that's okay, my will is good
Mas está tudo bem, minha intenção é boa
I like it - I'm not gonna crack Eu gosto - eu não vou pirar
I miss you - I'm not gonna crack Eu sinto sua falta - eu não vou pirar
I love you - I'm not gonna crack Eu te amo - eu não vou pirar(amor
I killed you - I'm not gonna crack Eu te matei - eu não vou pirar (heterodestrutividade)
*Nessa música, em especial na estrofe que o autor cita “eu sou feio”, mesmo supondo que essa poderá ser uma METÁFORA utilizada por Kurt, tal como outros compositores “brincam” com letras, palavras em suas canções, não é descartada a possibilidade dessa estrofe ser um indicativo de um material inconsciente e como tal, ser julgada a mesma função de sua forma literal; então proponho a interpretação igualitária.
A partir da interpretação acima, quando citado “eu não vou pirar” o autor ou o personagem envolvido no enredo da música demonstra que sente a sensação de enlouquecer, mas nega que isso irá acontecer, pois busca o autocontrole, tentando desesperadamente controlar seus impulsos, para não se descompensar.
Há também aqui um vazio em que busca alguém para sanar esse sentimento, e essa interpretação equivale a todo esse refrão: amor e ódio se mesclam denotando mais uma vez instabilidade emocional, um sentimento bastante ambíguo e característico do sujeito Borderline.
Verifica-se um misto de sentimentos de vingança e comportamentos autodestrutivos (impulsos de destruição a si) e heterodestrutivos (impulsos destrutivos a outrem).
Em algumas músicas de Cobain tal como “Lithium”, percebemos uma alta instabilidade emocional. Em algumas estrofes observa-se que há momentos de euforia e disforia, sendo essa marcada por um profundo sentimento de vazio e excitação, como se suas sensações perpassassem de um extremo ao outro em segundos. Lógico, que o simples fato de alguém escrever uma música refletindo sobre seus sentimentos e crises existenciais não se torna necessariamente o motivo de enquadrá-lo em um distúrbio, mas percebemos que ao longo da vida de Kurt, ele demonstrou comportamentos autodestrutivos e até mesmo seu próprio fim, se suicidando, e antes desse fato, ter apresentado diversos comportamentos destrutivos tais como o uso excessivo de drogas.
Outro elemento fundamental para o psicodiagnóstico Borderline no cantor são suas relações interpessoais que segundo o CID-10 que compõem relações tempestivas, intensas, ou instáveis e “por uma tendência a adotar um comportamento autodestrutivo, compreendendo tentativas de suicídio e gestos suicidas”.
Outra característica que difere Cobain de outras pessoas e o insere no diagnóstico de TPB são “Esforços frenéticos para evitar um abandono/rejeição real ou imaginado” (critério 4 DSM-IV)
Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado por extremos de idealização e desvalorização, ou amor e ódio, bom ou mau etc.
Há rumores de que Kurt namorou, se assim podemos, Tracy Marander, e que após um turbulent relacionamento em que havia se entregado e essa entrega não correspondida da mesma forma, compôs a música “about girl”. Consta nessa melodia que Kurt é submisso à pessoa amada, comportamento tipicamente borderline, onde visa com essas atitudes evitar o abandono do outro.
Em “About girl”, Kurt canta: “ But I can't see you every night; Free; I do...; I'm standing in your line; I do... hope you have the time; I do... pick a number two; I do... keep a date with you”. Traduzido: “Mas eu não posso te ver toda noite; De graça; Aceito...; Estou esperando na sua linha; Aceito... Esperar que você tenha tempo; Aceito... Pegar a segunda senha; Aceito... Marcar um encontro com você”.
Na música “Aneurym”, ele descreve como se sente tão angustiado pela ansiedade exacerbada, onde deseja a aprovação do outro, onde vomitou minutos antes de se encontrar com uma suposta namorada “Amo-te tanto que me deixa doente”.
Outra situação da vida de Cobain em que ele encontra-se um pouco mais estável no que se refere a relações amorosas, é quando encontrar Courtney Love, sua namorada que passa ser sua noiva. Esse relacionamento não demora muito para voltar a intensidade típica da personalidade do cantor. Segundo arquivos de um magazine ele descreve essa “paixão louca”:
Nos últimos dois meses fiquei noivo e minha atitude mudou drasticamente. Eu não posso acreditar o quanto estou feliz. Às vezes até me esqueço que estou em uma banda, eu estou tão cego pelo amor. Eu sei que soa constrangedor, mas é verdade. Eu poderia desistir da banda agora mesmo. Não importa, mas estou sob contrato.
Como vemos, ele admite até mesmo a possiblidade abadonar o emprego pela mulher amada, mas seu controle vem apenas, unica e exclusivamente de um contrato seu com a banda.
Esses trechos listados ilustram o quanto o borderline é susceptível à vontade do outro, se tornando vulnerável às relações interpessoais. Demonstra fragilidade ao passo que se torna um objeto como um “João bobo”. Verifica-se que o sujeito que sofre de TPB se entrega de forma intensa e por vezes se torna vulnerável ao desejo da pessoa que supostamente ama.
Na verdade me refiro com a frase “supostamente ama”, pois para ele não importa quem seja a pessoa, mas sim “alguéns”, nessa linha de pensamento não há “o alguém”, mas “qualquer alguém”, tamanha é a sua carência afetiva.
Uma comparação simples a respeito do TPB é a respeito dos sintomas afetivos, que demanda grande sofrimento por quem convive com esse tipo de transtorno, que é a característica de ser uma “criança”, tal como Cobain relatada sobre si mesmo em sua carta de suicídio: “Eu sou mesmo um bebê errático e triste!”. Há certas características infantis no que se refere ao sentir do Borderline, na sua carência e sua tentativa de preencher esse vazio aderindo a relacionamentos intensos, com o objetivo de cessar o vazio, a carência,a angustia e a tristeza que estão dentro dele.
Mesmo observando de que esse relacionamento não tem muito futuro, ele persiste no erro, a fim de negar a solidão e o abandono.
Costumeiramente associo o sentimento Borderline de Ira, referente ao critério 2 do DSM-IV ao filme “Um dia de fúria” (“Falling Down”) do diretor Joel Schumacher, em que o personagem do filme depois de tantas insatisfações sociais e crises existenciais se revolta, aliado a um grande teor de estresse decorrente da vida turbulenta e caótica de uma metrópole, apresenta comportamentos intensos reativos a todas as suas insatisfações. A diferença nessa comparação é que o sujeito Borderline na verdade não tem um dia de fúria, mas sim vários dias de fúria, podendo até mesmo chegar a minutos ou horas de fúria em apenas um dia.
O sujeito borderline é alguém que sofre, que demanda atenção de outros a todo instante, e pela maioria das pessoas não serem um contingente forte e resistente, acabam se afastando, pois é preciso paciência e compreensão, qualidades essas que nem todas as pessoas estão dispostas a oferecer. Devemos perceber com atenção e com olhos voltados a esse público sem discriminação ou preconceitos.
O tratamento e estudos sobre o tema é altamente complexo, já que há grandes discussões a respeito do tema e de uma suposta “cura”. Por se tratar de um transtorno de Personalidade, tal perdura na vida da pessoa desde sempre e o tratamento tem como objetivo oferecer um prognóstico menos conflitante para o sujeito e familiares e amigos, além da sociedade em geral, devido a seus comportamentos hetero e autodestrutivos.
Outros dados que remontam a vida complicada e todo sofrimento vivido por Cobain é relatado por conhecidos e parentes a respeito de sua infância. Aos oito anos de idade seus pais se separaram o que decorreu uma grande mudança de atitude tanto na escola quanto em casa, segundo relatos de sua mãe a diversas fontes sobre o cantor. Esses comportamentos se referiam a praticar bullying na escola; desenhos que envolviam anatomia e celebridades com uma conotação mórbida; além de apresentar TO, Transtorno Opositor ou Oposicional a adultos.
Após a separação de seus pais, começou a sentir vergonha por ter uma família desunida, já que na época a maioria de seus colegas não tinham pais separados e isso para ele causou grande impacto emocional, tendo que passar por psicoterapia.
Verificando estudos a respeito desse tipo de transtorno, é comum perceber algum trauma na infância tais como perdas ou separações que o tenham atingidos profundamente; violência sexual; negligencia nos cuidados por parte dos pais; genética; ou até mesmo uma disfunção cerebral. No caso, a separação de seus pais, pode ter desencadeado um conflito tão grande que o tenha atingido até a vida adulta, tornando sua vida turbulenta e incômoda.
Ele por diversas vezes foi diagnosticado com Depressão pelas características do vazio, pelas ideações suicidas, e seus comportamentos destrutivos proveniente de TPB. Outros transtornos como a Bipolaridade também são confundidos com o Borderline, além de ser comumente confundido também com o Transtorno de Personalidade Anti-social.
Por fim e como foi de fato, o fim de Kurt, prevemos um dos critérios para diagnóstico de TPB que são os Sintomas impulsivos
“4. Conduta recorrente de tentativas ou ameaças de suicídio e comportamentos de automutilação.”
Para finalizar, em uma passagem da carta de suicídio de Cobain há uma síntese do sentimento real e puro do que se passa na cabeça de um limítrofe( Borderline):
“E acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal."
Quaisquer dúvidas ou demais contatos, meu e-mail está a disposição: raquelfreirepsi@yahoo.com.br